"É preciso preparar-se para mais elevados conhecimentos, só neste pensamento pode a nova consciência aproximar-se da humanidade"

(Mestre El-Morya)


segunda-feira, novembro 14, 2011


A Física Quântica e a Derrocada do Realismo Materialista (parte 3)

Em um dos artigos anteriores aqui deste site, eu mencionei que o infinito contém o finito. É uma afirmação lógica, afinal, o finito tem limites e o infinito não, portanto, pela lógica, o infinito contém tanto aquilo que tem limites quanto o que não tem, senão não seria infinito, pois estaria limitado pelo finito. A física quântica parece reforçar essa tese, pois, pelo princípio da correspondência, não se nega o que já é ciência, apenas incorpora os conhecimentos dentro de uma abordagem mais ampla. Usando esse mesmo conceito, podemos dizer que o realismo materialista não está errado em si, mas sim, é uma visão particular de alguns aspectos da criação; um ponto de vista específico e limitado da verdade universal. Aqueles que se apóiam no realismo materialista para determinar uma verdade absoluta precisariam refletir um pouco sobre a virtude “humildade” para entender que não existe verdade absoluta que possa ser resumida em conceitos quaisquer, sejam eles científicos, filosóficos ou religiosos, pois isso limitaria algo que seria perfeito e infinito em si em alguma definição limitada, ou seja, finita, portanto, menor que alguma coisa infinita que a contém. Isso vale também para os ateus, pois ateísmo não passa de um conceito e um tipo de religião que, em vez de afirmar a existência de alguma coisa maior, simplesmente nega. Interessante é que o realismo materialista não consegue nem mesmo sustentar uma simples formulação filosófica básica, derivada de seus próprios princípios: se tudo provém da matéria, o infinito também seria resultado da matéria mesmo a matéria sendo finita? Lembrando que o conceito de infinito é parte dos estudos matemáticos e tem neles sustentação acadêmica teórica. De qualquer forma, o interessante desse tipo de pensamento aberto proposto pelos físicos é que, ainda usando o princípio da correspondência, não considero haver nada de essencialmente errado nos pontos de vista científicos, filosóficos e religiosos, aliás, acredito mesmo que todos devem ser estimulados e são muito válidos, só precisam ser colocados no lugar que realmente estão, ou seja, são visões parciais, baseadas em definições e que são instrumentos excelentes para buscar e desenvolver o conhecimento, mas apenas isso, não podem ser confundidos com uma experiência de verdade absoluta infinita, pois esta não pode ser descrita por meios limitados. Racionalismo é só uma parte, não o todo, parte importante, porém, limitada.

Voltando ao nosso tema, vamos ver agora como a física quântica absorveu o realismo materialista e expandiu os horizontes do conhecimento científico, criando novos desafios à nossa consciência. Comparando os postulados da física quântica com os do realismo materialista, vemos que esses últimos perdem sustentação teórica por conta da oposição contundente dos primeiros. Vamos lá:

1- Princípio da Objetividade Forte: se os objetos materiais são realmente separados da mente ou consciência, como podemos determinar, através de nossa consciência e seguindo o princípio da complementaridade, a forma como uma partícula se apresentará no mundo físico? De fato, o princípio da complementaridade é frontalmente oposto ao da objetividade forte e, não fosse as provas experimentais de que a complementaridade é real, hoje estaríamos em uma discussão científica sem fim.

2- Princípio do Determinismo Causal: também claramente oposto ao princípio da incerteza de Heisenberg, não só postulado matematicamente, como também experimentalmente provado. Não temos como determinar a velocidade e posição iniciais de uma partícula, portanto, não conseguimos prever com precisão onde ela estará no próximo instante, portanto, o universo quântico é estatístico e não determinístico.

3- Princípio da Localidade: um aspecto interessante que eu não detalhei muito nos artigos anteriores, relativo ao princípio da incerteza de Heisenberg, é uma característica da partícula de se espalhar por enormes distâncias e se colapsar quando sofre medições. As fórmulas que regem esse princípio determinam que uma partícula que não está sendo observada está espalhada por distâncias inimagináveis, se é que podemos usar o termo distância. Há também outro fenômeno identificado nas experimentações chamado de “entrelaçamento quântico”, onde, de alguma forma, uma partícula permanece ligada a outra independentemente do tempo e do espaço, ou seja, ao se perturbar uma partícula, a outra que está entrelaçada reage da mesma forma, absolutamente no exato instante, independentemente da distância que estiverem separadas. As experimentações constataram o fenômeno mesmo estando as minúsculas partículas subatômicas separadas por centenas de quilômetros. Esse fenômeno derruba o princípio da localidade, pois não existe nada que materialmente possa justificar essa influência remota, mesmo que teoricamente formulado, ou seja, só a física quântica explica.

4- Princípio do Monismo Materialista: se todas as coisas são feitas de matéria, seria então a consciência um produto da matéria? Se for, temos que nos pautar que a matéria vem antes da consciência e que, portanto, a matéria determinaria os comportamentos da consciência. Se, pelo princípio da complementaridade, nossa decisão que determina a forma como a matéria se apresenta para nós, então é exatamente o contrário que acontece, ou seja, é a consciência quem determina os comportamentos da matéria, ou seja, a consciência teria então precedência sobre a matéria. De fato, não há estrutura de conhecimento no realismo materialista que explique esse fenômeno, ao contrário do que foi constatado pelos estudos quânticos, portanto, esse princípio também foi derrubado.

5- Princípio do Epifenomenalismo: esse princípio tenta reforçar a tese de que a consciência vem depois da matéria, mas, como vimos acima, pelos mesmos experimentos ficou demonstrado que é exatamente o contrário. De fato, esse princípio caiu junto com o do monismo materialista, pois, de certa forma, um estava ligado ao outro.

Se o realismo materialista não tem mais sustentação axiomática e falha na explicação dos objetos quânticos, como ficam todas as filosofias, crenças e teses baseadas nessa estrutura de conhecimento? Pelo princípio da correspondência, a física quântica não nega sua manifestação, porém, fica claro que precisarão sofrer uma reavaliação importante em seus princípios, pois há sim uma crise de credibilidade que muitos parecem querer ocultar. Mais que isso, podemos até mesmo dizer que os conceitos quânticos parecem meio que “sobrenaturais” a ponto de reforçar conceitos teosóficos ou místicos, ou seja, não só criou-se um problema estrutural nas teorias materialistas, como também apareceu uma estrutura de sustentação para todos os estudos não materialistas, antes relegados a devaneios de pessoas crédulas ou que precisam de algum tipo de conforto sentimental para suportarem o mundo material. De fato, para mim, todas essas discussões não passam de efeitos de uma lei simples: ação e reação ou, em outras palavras, Kharma. O clero, que abusou e vilipendiou os estudos científicos, agora é vítima de sua própria atrocidade; por sorte, a consciência hoje é mais evoluída, então, aqueles que aceitam as ciências ocultas ou atuam junto às religiões não foram mortos pelos realistas materialistas (pelo menos, não que eu saiba...).

Olhando um pouco para o futuro, não seria muito melhor e mais incentivador projetarmos um mundo onde a ciência, a filosofia e a religião voltassem a se unir para estudar profundamente a existência em todos os seus aspectos? Essa proposta está sendo defendida por diversos pesquisadores e, de fato, já temos algumas organizações trabalhando nesse sentido, mesmo que ainda consideradas “alternativas”, ou seja, arrumaram um termo para identificar estudos não ortodoxos que não podem mais ser sufocados por conta do “politicamente correto” e do respeito à diversidade. Logicamente, há muita resistência, mas a obviedade acachapante dos resultados das pesquisas cosmológicas e microcosmológicas não deixam dúvidas de que todos esses esforços do pensamento humano estão se dirigindo para um ambiente de cooperação, uma mesma estrada de conhecimento com diversas faixas paralelas, dado que, inquestionavelmente, parecem falar as mesmas coisas, apenas com métodos e palavras diferentes. Não fossem os interesses de estruturas de poder tão bem instaladas hoje na nossa sociedade, já estaríamos construindo um mundo de harmonia e respeito mútuo; porém, como a história demonstra, os administradores e executivos têm seu pensamento sempre algumas centenas de anos atrás dos artistas, filósofos e cientistas. Mas o tempo segue seu curso dentro da nossa consciência material, os séculos passam, e os pensamentos são difundidos aos poucos como conhecimento escolar na nossa humanidade. É um processo longo, envolve gerações, mas acontece, seja por bem ou por mal, através da conseqüência de nossos atos. É por isso que temos que plantar cada semente com zelo e amor, acreditando no futuro e vibrando positivamente.

Com esse artigo, o tema parece ter se encerrado, porém, fechei apenas a parte formal e científica. No próximo, falarei um pouco das possibilidades que essa nova visão encerra, sem preocupação de ser “cientificamente provado...”

Deus nos acompanhe nessa nova era do pensamento!


sábado, outubro 15, 2011


A Física Quântica e a Derrocada do Realismo Materialista (parte 2)

Apesar de Einstein ter contribuído largamente para a física do século 20, suas teorias estavam alicerçadas na mecânica clássica. Isso não é, de forma alguma, um problema para seu legado, até porque, mesmo naquilo que ele achou que era um erro teórico para o conceito de expansão do universo, na realidade, hoje já foi demonstrado que era um tremendo acerto. Eu diria que aqui temos uma questão de maturação de idéias; Einstein foi um dos últimos expoentes da mecânica clássica, portanto, estava lapidando as últimas arestas de um tema já bem maduro. Na mesma época, havia pesquisadores, como Niels Born, Max Bohr, De Broglie, Heisenberg e outros, que estavam desbravando uma floresta desconhecida, desbastando uma pedra mais bruta e postulando novidades muito polêmicas. Mesmo assim, Einstein não deixou de considerar as idéias deles, tecendo o seguinte comentário aos estudos de De Broglie: “A tese pode parecer loucura, mas é realmente lógica”. De fato, as fórmulas matemáticas da mecânica quântica têm variáveis bizarras, do tipo, o produto entre as “incertezas de posição de um elétron” e o “momentum” dele é maior ou igual à “constante de Planck”. O “momentum” tem relação com a famosa fórmula de Einstein, a “constante de Planck” todos nós estudamos no colégio e já era algo estranho por si só, dado que dizia que uma partícula “pulava” de um estado a outro sem passar pelas fases intermediárias, mas as “incertezas de posição de um elétron” é um tanto controverso para o determinístico e previsível universo mecânico dos primórdios da física. De qualquer forma, o fato é que as fórmulas da mecânica clássica funcionam para todos os objetos não quânticos, mas falham para os quânticos, sendo que as fórmulas da mecânica quântica funcionam tanto para explicar o habitat quântico, como todos os demais fenômenos da mecânica clássica, até com mais precisão, ou seja, são mais abrangentes que as primeiras. Para entender isso, podemos fazer uma analogia com relógios: por exemplo, se você tiver dois relógios, um mecânico, baseado em engrenagens e molas, e outro eletrônico, baseado em cristal de quarts, qual você acha que é mais preciso? Tecnicamente falando, um eletrônico de boa qualidade vai ser mais preciso que um mecânico também de boa qualidade, sendo que ambos são relógios e servem para marcar as horas. Além disso, normalmente o eletrônico terá cronômetro e outros quitutes não disponíveis no mecânico. Outro detalhe relevante é que, assim como muitos fenômenos estranhos derivados da teoria da relatividade, que foram testados e validados em experimentos na década de 1960 com o advento dos relógios atômicos, fenômenos verdadeiramente bisonhos foram testados e validados em experimentos quânticos alguns anos mais tarde. Mesmo assim, ou até mesmo por conta disso, alguns pesquisadores muito afinados com a mecânica clássica acabaram virando as costas para essas teorias e continuaram defendendo o universo mecânico, mesmo que seus discursos já estivessem notadamente vazios e frágeis.

Os postulados da física quântica são bastante desconcertantes. Mais que isso, eles criam paradoxos que podem ser resolvidos adotando modelos teosóficos; aliás, chego a acreditar que podemos encontrar integração entre os conceitos teosóficos e os conceitos quânticos, como se um precisasse do outro para se afirmar e sustentar. Por conta disso, muitos pensadores de áreas tão distintas quanto se possa imaginar tentam incorporar esses conceitos em suas teorias (falo de psicólogos, parapsicólogos, filósofos, médicos, homeopatas, terapeutas florais, etc.), muitas vezes de formas tão bizarras quanto as próprias teorias quânticas. Usar a palavra “quântico” acabou virando estratégia de marketing, criando um certo descrédito por conta de alguns charlatões, além da banalização do termo, o que gerou desconfiança das pessoas e as afastou de informações que seriam muito relevantes para suas reflexões existenciais. Em meio a essa enxurrada de idéias “viajantes”, várias pesquisas promissoras estão despontando e, mesmo que empiricamente, acabam por demonstrar resultados importantes. É engraçado que essa reação das pessoas se assemelha a reação que eu citei acima dos físicos clássicos, levando-me a pensar que esse tema gera esse tipo de resposta, ou seja, ou você vai fundo nele, ou você finge que ele não existe e que não faz parte da sua vida. Porém, a participação que ele tem na sua vida é integral, dado que há pesquisas que indicam que existem fenômenos quânticos determinantes no funcionamento de seus nervos, ou seja, suspeita-se que a simples percepção de que você tocou em algo quente pode acontecer por conta de um fenômeno chamado de “entrelaçamento quântico.”

Mas no que se baseia essa tal de física quântica? Estamos já no segundo artigo e vocês podem dizer que, até agora, só estou rodeando o assunto. Como disse no primeiro artigo, é um assunto vasto, e lá eu apresentei os postulados do realismo materialista. Nesse artigo, vou apresentar os postulados da física quântica, assim teremos um conhecimento básico para analisar as conseqüências do segundo sobre o primeiro em um próximo artigo. De novo, estou usando como referência o livro “O Universo Autoconsciente” de Amit Goswami, por ser uma obra que resume tudo isso de forma bem concisa na primeira parte para que ele possa desenvolver sua conceituação de universo na segunda. Não pretendo apresentar as proposições de Goswami nesta série, até porque, para quem se interessar, basta procurar o livro nas boas casas do ramo, como diria a máxima da propaganda tradicional.

Postulados da Mecânica Quântica:

1- Princípio do Salto Quântico: esse princípio teve como origem a discrepância entre a medição de emissões de luz de objetos incandescentes e as fórmulas que descreviam o fenômeno. Para solucionar essa diferença, Planck corajosamente afirmou que “os elétrons emitem ou absorvem energia apenas em certas quantidades específicas, descontinuamente separadas” (excerto do livro acima). O significado disso é que, para conseguir fazer essa absorção ou emissão de energia em lotes, o elétron tem que se posicionar no universo aos saltos, indo de uma camada à outra sem passar por nenhuma posição intermediária, ou seja, ele simplesmente desaparece de um lugar e “magicamente” aparece em outro. A primeira conseqüência dessa afirmação é a destruição do mundo analógico da mecânica clássica, onde não haveria descontinuidade no universo e tudo que vai de um ponto a outro, passaria obrigatoriamente por infinitas posições intermediárias. Isso vale para os macro-objetos que conhecemos, mas não para as partículas quânticas.

2- Princípio da Complementaridade: como conseqüência dos estudos de Bohr e De Broglie, podemos dizer de uma forma simplista que “as partículas materiais são simultaneamente onda e partícula, e a forma (onda ou partícula) como elas se mostram para nós é determinada pela nossa decisão de como medi-las.” Veja que estou falando de ciência formal, estruturada em fórmulas matemáticas e experimentações de laboratório. Esse interessante postulado insere na ciência a nossa consciência inteligente, não só como o observador passivo proposto por Einstein, mas uma entidade com poder de decisão sobre a forma como o universo se apresenta. De fato, esse princípio enuncia que o elétron não é nem onda, nem partícula, pois a sua verdadeira natureza é transcendente e ambas as características se mostram complementares entre elas, além do que, nós temos poder sobre sua apresentação material. Como diz Goswami, poderíamos chamar o elétron de “ondícula.”

3- Princípio da Incerteza de Heisenberg: esse princípio é formulado através da matemática e, para não dar explicações complicadas aqui, vou tentar traduzir essa fórmula em termos mais palatáveis para quem não tem fluência com os números. Basicamente, ela diz que “não podemos simultaneamente determinar, com certeza, a posição e a velocidade (ou momentum) de um elétron” (excerto do livro acima), com isso, não temos como determinar a trajetória dele e, por conseguinte, não conseguimos prever precisamente a posição dele. Trocando em miúdos, só conseguimos dizer que existe uma possibilidade maior ou menor de encontrar um elétron em um determinado lugar e, quando o achamos, não sabemos para onde ele vai; é como se ele fosse um “fantasma” que até pode ser achado em um lugar assombrado, por exemplo, um cemitério, mas nunca conseguimos saber se ele vai aparecer na nossa frente, ao nosso lado, lá no canto do muro, mas é muito mais provável achar um fantasma no cemitério do que na principal avenida da sua cidade. Detalhe: estamos falando de possibilidades, então, isso não significa que o fantasma tem que ficar no cemitério, aliás, a fórmula diz que é provável que ele esteja lá, mas que se não sabemos onde ele está, então, ele está em toda a parte ao mesmo tempo (isso mesmo, no mesmo instante em mais de um lugar), espalhado por todos os lugares e potencialmente pode se manifestar em qualquer lugar do planeta, incluindo a avenida da sua cidade. Por mais bizarro que isso possa parecer, foi com base nesse princípio que cientistas japoneses já conseguiram fazer há alguns poucos anos um experimento de teletransporte de partículas, o precursor do teletransporte do filme Jornada nas Estrelas.

4- Princípio da Correspondência: esse postulado é muito interessante e eu diria que ele tem um certo apelo diplomático, pois, ao mesmo tempo em que a física quântica derruba os axiomas do realismo materialista, ela não joga fora os conceitos formulados através deles, apenas expande as possibilidades para um mundo que, até então, era desconhecido. Esse postulado diz que “no domínio da física clássica, as deduções da mecânica quântica relativas ao movimento de objetos correspondem claramente às que são feitas usando a matemática newtoniana, como se fossem clássicos os corpos que estamos lidando” (excerto do livro citado acima). De fato, se olharmos para a história das descobertas científicas, isso é o que normalmente acontece; a cada passo da humanidade, nós temos um novo descortinar de possibilidades que apenas aumentam nosso conhecimento do universo, sem descartar as conquistas que as grandes mentes já fizeram. A física clássica construiu o mundo que conhecemos hoje, portanto, em sua época ela estava adequada. O mundo que vem pela frente é mais profundo, então, precisávamos de uma linguagem física também mais profunda.

Gosto muito da reflexão que esse tema nos apresenta. Apenas lendo os axiomas, o mundo já parece dar uma longa e surpreendente volta. Com quatro princípios, já nos encontramos inseridos em vários paradoxos que nos suscitam as reflexões de filósofos modernos, como Bertrand Russell, que dizia que nós não podíamos confiar no que nossos olhos vêem; aliás, essa declaração já seria uma afronta à ciência formal que se baseia, de certa forma, no que os olhos vêem. De fato, pelo último postulado, podemos dizer que o que nossos olhos vêem realmente está lá, pode ser calculado como existente, mas a mecânica quântica também diz que é muito mais do que está lá, ou seja, o que vemos é apenas uma pequena parte da verdade universal.

Até a próxima parte do tema e fiquem na Paz de Deus.


segunda-feira, setembro 19, 2011

A Física Quântica e a Derrocada do Realismo Materialista (parte 1)

Quantas vezes você já ouviu: “isso é cientificamente comprovado”? Muitos usam essa frase para tentar validar uma crença pessoal, se utilizando de alguma coisa que alguém disse que reproduziu em laboratório. Por outro lado, há também os que dizem: “isso é a palavra de Deus”, sendo que usam essa frase da mesma forma que a turma do “cientificamente comprovado”. Agora eu pergunto: qual é a diferença? Não estou perguntando qual é a diferença entre ciência e religião (ainda), estou perguntando qual é a diferença de intenção e pensamento entre as duas afirmativas. Muito do que se acredita ser cientificamente comprovado é apenas a reprodução de um determinado comportamento de estruturas materiais mensuráveis dentro de laboratórios que estão na crosta terrestre ou, mais recentemente, em um espaço nem tão sideral assim, que está apenas há algumas centenas de quilômetros acima da crosta. Dito isso, cabe aqui mais uma pergunta: quem garante que o que acontece nos laboratórios da terra funciona da mesma forma em laboratórios de um planeta que gire em torno da estrela Sirius? Ou, até mesmo, em Júpiter? De fato, só se pode garantir que o “cientificamente comprovado” funcione aqui na terra, com os elementos da terra, com a psicosfera da terra e tudo mais. Portanto, o “cientificamente comprovado” não passa de um tipo de crença não muito diferente do que é a “palavra de Deus”, talvez apenas um trate do finito e o outro do infinito. Aliás, quando vamos mais a fundo nas bases da ciência formal, vemos que ela não consegue comprovar muitas de suas teorias, apenas formula idéias baseadas em um método científico e espera poder fazer alguma experiência em ambiente controlado para conseguir medir alguma coisa que possa dar validade à tese inicial.

Mas por que eu comecei um artigo que vai falar de física com um discurso que mais parece uma afronta ao método científico? Não é uma afronta, é uma reflexão. Ciência e religião estiveram juntas por muitos milênios e só se separaram no ocidente porque alguém queria direcionar e limitar o pensamento filosófico e científico por conta do seu poderio político. Porém, como esclarece muito bem Eliphas Lévi no clássico “Dogma e Ritual da Alta Magia”, ciência, filosofia e religião formam um tripé indissolúvel para a compreensão da existência em todos os níveis. Até se pode separá-las politicamente, como são separados os poderes de uma república, mas inexoravelmente elas se encontrarão em algum ponto do tempo-espaço, pois são feitas essencialmente da mesma “matéria”. De fato, para ser um tripé, precisam estar unidas no vértice, sendo que, há um grupo de ciências que trabalham com esses três elementos; são as chamadas Ciências Ocultas. E onde as ciências ocultas entram nisso? Apesar de muitos religiosos e cientistas bradarem contra elas, ou dizendo que são artes do demônio, ou que não tem embasamento científico, essas ciências se estruturam conservando a harmonia entre as três hastes do tripé e, certamente por serem conciliadoras, incomodam aqueles que querem manter o poder sobre o conhecimento ou sobre algum aspecto da existência político-social das massas.

A boa notícia é que a física quântica colocou a ciência formal em uma tremenda “saia justa”, pois está chegando à conclusões desconcertantes, que fazem a ciência se aproximar de diversos conceitos filosóficos e religiosos. Amit Goswami, eminente físico indiano, chega até a propor em seu livro “O Universo Autoconsciente” que, depois das proposições da física quântica, a ciência se encontra em um momento de ruptura de antigos paradigmas, que não tem mais como sustentar os postulados materialistas e que só pode encontrar soluções para seus dogmatismos se aceitar que a grande maioria dos preceitos filosóficos e esotéricos estão bem fundamentados. De fato, isso já é praticado pelas ciências ocultas e as escolas de mistério há milênios, portanto, eu não vou dizer que tendo a concordar com Amit porque eu já concordo com ele desde que iniciei meus estudos esotéricos e científicos na década de 1980.

Um detalhe que não posso deixar de informar é que não dá para discorrer sobre um assunto tão polêmico em um único artigo, portanto, da mesma forma que a série de artigos “Uma Questão de Tempo”, esse assunto vai ser quebrado em alguns posts. Vamos começar pelo básico e nesse primeiro artigo vou apresentar os postulados do Realismo Materialista. De fato, as bases da física antiga se deram por diversos pensadores, notadamente os gregos e depois os europeus, fazendo com que todos esses conhecimentos acabassem reforçando os fundamentos do período chamado de Iluminismo, sendo que, um nome em especial formulou os princípios do método científico ocidental. Essa personalidade, René Descartes, propôs a filosofia dualista, onde a parte subjetiva mental seria domínio da religião e a parte objetiva material seria domínio da ciência. Veja que a humanidade estava saindo das trevas da idade média e dos tribunais da inquisição, com suas atrocidades aplicadas a vários cientistas, tidos como servidores do demônio, portanto, era natural que, em um momento de retomada da racionalidade filosófica, os pensadores buscassem um meio político para acabar com o conflito entre eles e a igreja, de forma a poderem desenvolver suas teorias sem que tivessem que se exilar ou se contradizer para não serem mortos ou presos. Entretanto, essa noção de que a separação era mais diplomática que real se perdeu com o tempo e ambas as partes continuaram em conflito, menos sangrento, é fato, mas que propiciou que o tal do método científico virasse um tipo de lei para os cientistas da atualidade. Não posso deixar de perguntar aqui por que o método científico seria melhor ou mais verdadeiro que o método religioso? Não há fundamentação imparcial que possa afirmar que algum dos dois métodos seja melhor. Quando falo imparcial, quero dizer que não dá para usar nenhuma das formulações feitas em um desses métodos para julgar o outro, simplesmente porque essas formulações são feitas para reforçar seu próprio método original, portanto, extremamente parciais. Eliphas Lévi afirma que a filosofia seria a ponte para a conciliação entre ciência e religião, porém, cabe aqui lembrar que Eliphas era um taumaturgo, ou seja, um cientista das artes ocultas, então, precisamos nos questionar que tipo de filosofia ele estava falando, considerando suas práticas, sua formação e a época em que produziu seus escritos. Na minha opinião, ele falava das ciências ocultas e esotéricas e não da filosofia clássica ensinada nas nossas universidades, pois, no mundo ocidental, elas já estão por demais contaminadas pelo método científico.

Voltando aos postulados do Realismo Materialista, segue abaixo uma explicação simplória de cada um deles para referência. Estes 5 conceitos foram retirados do livro “O Universo Autoconsciente” de Amit Goswami. Não vou detalhar muito, pois mais informações podem ser obtidas na internet.

Postulados do Realismo Materialista:

1- Princípio da Objetividade Forte: segundo Goswami, Descartes teria se baseado em Aristóteles para formular esse conceito, mas, para mim, parece-me claro que era um postulado muito conveniente para o tácito “acordo político” entre os cientistas e o clero. Basicamente, esse axioma propõe que os “objetos são independentes e separados da mente (ou consciência)” - excerto do livro citado acima.

2- Princípio do Determinismo Causal: também do livro citado acima, temos o excerto que explica esse princípio como sendo “a idéia de que todo movimento pode ser exatamente previsto, dadas as leis do movimento e as condições iniciais em que se encontravam os objetos (onde estão e com que velocidade se deslocam).” Esse conceito, proposto inicialmente por Newton, está calcado na mecânica clássica, onde o mundo seria uma máquina composta por sistemas mecânicos que interagem entre si.

3- Princípio da Localidade: derivado da teoria da relatividade de Einstein, que formulou o conceito do espaço-tempo e o limite da velocidade da luz, esse postulado diz que “todas as influências entre objetos materiais que se fazem sentir no espaço-tempo devem ser locais: eles têm que viajar através do espaço um pouco de cada vez, com uma velocidade finita” - excerto do livro citado acima.

4- Princípio do Monismo Materialista: como resultado do esforço dos cientistas em gerar tecnologia através da ciência, ou seja, de conseguir controlar e prever efeitos materiais, a ciência materialista adquiriu aos poucos uma força política que a permitiu ir a forra da religião e novamente questioná-la, agora sem medo do cárcere ou da fogueira dos bruxos. Neste momento, eles questionaram o dualismo proposto por Descartes e postularam que “todas as coisas são feitas de matéria (e de generalizações da matéria, como energia e campos de força). Nosso mundo é material, de cima a baixo” - outro excerto do livro de Goswami.

5- Princípio do Epifenomenalismo: esse conceito já me parece uma “viagem na maionese” científica, pois, como não se sabe como conseguir usar a matéria para gerar consciência, então, para reforçar os propósitos da ciência materialista, era necessário seguir um norte (mesmo que seja para o sul) para direcionar as pesquisas e conseguir os recursos para tal. Esse princípio diz que “todos os fenômenos mentais podem ser explicados como sendo epifenômenos, ou seja, fenômenos secundários, da matéria, através de uma redução apropriada a condições físicas prévias. A idéia básica é que o que denominamos de consciência constitui simplesmente uma propriedade (ou grupo de propriedades) do cérebro” - por hora, último excerto do nosso amigo Goswami. Veja que esse princípio contradiz o primeiro, uma vez que ele não separa mais a consciência da matéria.

É notável que nossa educação esteja tão impregnada de Realismo Materialista que todos os cinco princípios acima nos pareçam muito familiares e lógicos. Certamente, muitos de vocês devem ter questionado meus comentários por vezes irônicos sobre eles. De fato, sou irônico em relação à idéia de que há alguma coisa mais certa que outra. Eu entendo a programação mental que nos faz achá-los familiares; foi feita com nossos pais, avós e praticamente todos os que nos ensinaram desde o jardim da infância, então, é lógico que se tornaram crenças que nem sabemos direito de onde vêm. Porém, são exatamente isso, apenas crenças. Digo isso, pois vamos ver mais adiante, nos próximos artigos, como a física quântica “detonou” cada um desses princípios, postulando outros que voltam a aproximar ciência da religião de forma irreversível, deixando os cientistas materialistas sem argumentos para sustentar suas teses. O curioso disso tudo é que esses mesmos cientistas que afrontaram a religião se viram tão perplexos que sua defesa à mecânica clássica ficou mais parecendo uma homilia eclesiástica impregnada de crenças, que agora são fundamentadas unicamente na história ocidental da ciência e não mais no resultado das experimentações laboratoriais, que hoje apontam para uma reconciliação filosófica entre ciência e religião. Por sorte, os maiores cientistas da história tinham grande fé em Deus e Sua criação, sendo que a quase totalidade deles foram integrados aos quadros das escolas de mistério e fraternidades secretas, mesmo que muitos teóricos da atualidade queiram obscurecer essa particularidade da vida das grandes mentes. Entretanto, várias citações desses grandes cientistas revelam sua devoção pelo Deus de seus corações, desta forma, gostaria de encerrar esse primeiro artigo com uma frase de Albert Einsten, muito pertinente ao tema em questão:

“Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega.”

Deus abençoe a todos!

domingo, setembro 11, 2011

O Anjo da Provação

Recentemente, eu postei um comentário em uma rede social que dizia “Nosso Salvador é Jesus, mas nosso Libertador é Lúcifer.” Ninguém comentou nada, talvez porque não tenham entendido, talvez porque não estão nem aí para a cocada mesmo, talvez porque tenham tido medo, afinal, quando se fala de Lúcifer, muitos acreditam que estamos acalentando o demônio e, por conta do que aprenderam erroneamente, julgam rapidamente antes de refletir sobre a questão. O fato é que as pessoas são programadas desde criança com informações mal interpretadas, propositalmente ou não, pois a maioria das religiões ou estruturas de poder quer mesmo é controlar as pessoas pelo medo, o que acaba perpetuando idéias que não ajudam em nada o desenvolvimento espiritual. Um verdadeiro buscador da Luz deve adotar a máxima de Adhemar Ramos: “Não acredite em nada do que eu falo, mas não duvide de nada do que eu falo.”, ou seja, em vez de dar crédito a qualquer coisa que se ouve por aí, questione, pesquise e conclua por si só, pois aquele que fala pode ou estar iludido, ou estar submetido a alguma organização interessada em estabelecer crenças para controlar as pessoas, não necessariamente de forma maliciosa, mas que, de fato, acabam cerceando nosso livre arbítrio. Isso vale inclusive para o que você está lendo agora.

Lúcifer é um ser mitológico muito pouco citado na Bíblia e, aonde é citado, não é tido claramente como demônio. De fato, deram uma tremenda má fama para ele por terem atribuído seu nome a várias confusões de interpretação dos textos bíblicos, como em Jó, quando se menciona os excessos de um rei da Babilônia, ou em Ezequiel, quando o associam a um anjo caído, seja lá o que isso represente verdadeiramente. De qualquer forma, se é um anjo, não é diabo e, mesmo que tenha se perdido, seria só mais um irmão imerso em um mundo de ilusões, da mesma forma que nós. Lúcifer é um nome oriundo do Latim que significa “portador de luz”; também é associado à estrela D’Alva, ou seja, o planeta Vênus que, na mitologia, é a deusa do amor. Pela possibilidade de estar ligado ao erotismo ou à sexualidade, uma vez que Vênus também tem essa conotação, isso por si só já pode ter suscitado uma visão preconceituosa do clero, pois, como sabemos, o clero em geral confunde o amor erótico com pecado por conta dos seus recalques religiosos. Veja também que, no Apocalipse, o próprio Cristo identifica a si mesmo como a Estrela da Manhã, ou seja, o mesmo Vênus que é associado a Lúcifer, sendo que eu já vi interpretações em algumas linhas de pensamento de que a ascensão de Cristo está diretamente ligada ao resgate de Lúcifer, sendo ele, em verdade, a consciência máster de todos os anjos. De fato, essa multiplicidade de conceitos contraditórios não é por acaso e tem sim sua razão de ser, pois, mesmo que seja muito difícil de entender, a Bíblia é tida até hoje como a palavra de Deus e, se Deus assim não quisesse, o livro santo seria outro.

Como vimos, o ponto cabal da questão luciférica é sua associação com o demônio. Primeiramente, devemos deixar claro que a existência do demônio da forma como se prega é uma grande negação do Deus único. Não existe um ser como Deus, mas contrário a Ele, assim como não existe céu e inferno como regiões opostas em algum lugar do universo, independentemente do que seja verdadeiramente o simbolismo disso. A própria física está levando o conceito de Deus a um novo patamar por conta dos paradoxos materialistas que a física quântica consegue resolver com o conceito de consciência única, porém, de qualquer forma, ela apenas soma e aponta para a veracidade da idéia do Deus único. Se Deus é único, o demônio é qualquer coisa menos o oposto de Deus, pois, se ele existisse, estaria subordinado a Deus, dado que Deus é o inominável onipresente, então, também estaria presente no coração do demônio. Por conseqüência, se existe Deus no demônio, seria ele verdadeiramente um demônio? Que existam forças involutivas, podemos até aceitar, mas essas forças nada mais são do que a condensação das vontades desequilibradas que nós mesmos irradiamos ou, talvez, a existência de almas muito primitivas que ainda não teriam alcançado um mínimo de formação moral e ética para conviver harmoniosamente no mundo, em suma, crianças espirituais.

Mas se o demônio não existe, quem é Lúcifer e por que ele tem essa má fama? Começando pelo fim, a má fama dele é por conta da nossa “incrível” capacidade em tecer julgamentos ignorantes ou aceitar julgamentos ignorantes de outras pessoas extremamente parciais. Entretanto, a má fama e a contradição têm a ver com o propósito de Lúcifer. Gostaria de deixar claro que o que se seguirá, mesmo que embasado em estudos filosóficos e teosóficos sobre várias linhas de pensamento, é a minha conclusão sobre o assunto, portanto, não se esqueçam da máxima de Adhemar Ramos exposta acima. Para entender Lúcifer, temos que tentar localizar nossa consciência nos planos superiores, onde não estamos sujeitos à ilusão da individualidade, nem presos na dimensão do espaço-tempo, em outras palavras, estamos em um lugar sem espaço, sem tempo, lendo o pensamento de todos e sentindo o sentimento de todos, em suma, com pouca individualidade. Sim... é muito estranho tentar imaginar isso, pois o Ego não gosta de saber que você conhece esse lugar, então, trata de escondê-lo. De qualquer forma, você sonha e os sonhos estão mais próximos dessa região da consciência do que o Ego  em seu estado de vigília. Saindo um pouco da poesia e indo para a ciência, quando a física quântica fala de consciência única, é exatamente isso que ela quer dizer, ou seja, que a sua consciência primordial, a minha, a do mendigo da esquina, a do político, a do santo, etc. são todas provenientes do mesmo lugar; na verdade são exatamente a mesma consciência divina, portanto, se Cristo disse que estava em nós, Lúcifer também está. Isso é corroborado pelo que citei do Apocalipse acima, ou seja, Cristo e Lúcifer também fazem parte da consciência única. Podemos dizer que, no mundo transcendente que eu pedi para você se imaginar, consciências mais parecem emanações abstratas, como vibrações, conceitos, sentimentos, intenções, etc., do que aquilo que costumamos perceber como o Ego no estado de vigília. Um anjo é um ser que cuida das nossas emanações de virtude, ou até melhor dizendo, eles são a própria virtude e sempre que manifestemos uma determinada virtude, estamos manifestando a consciência angélica daquela virtude. Por isso que os conhecemos como anjo da sabedoria, anjo da ternura, anjo da fé, anjo da liberdade, anjo da força, etc., independentemente dos nomes que são dados a eles que, via de regra, são terminados em “el” (Miguel, Uriel, Samuel, etc.). Apesar de poucos dizerem isso, considerando nosso julgamento limitado sobre o certo e errado, podemos dizer que todo anjo teria seu aspecto positivo e negativo. Eu prefiro simplesmente seguir a linha evolucionista e dizer que toda virtude pode manifestar-se de forma madura e completa em nós, ou pode ainda estar em desenvolvimento, manifestando-se de forma incompleta ou desafinada, podendo até mesmo causar problemas e “erros”, ou seja, defeitos não são erros ou pecados, são apenas virtudes incompletas e imaturas, que ainda precisam de muita lapidação. Aí você vai me dizer que Lúcifer não termina em “el”. Algumas linhas de pensamento afirmam que Lúcifer é a consciência total de todos os anjos ou, para ser mais técnico no termo, a consciência angélica integral que contém todas as emanações angélicas. De fato, não posso afirmar se isso representa a verdade ou não, mas é uma forma interessante de entendê-lo.

Mas por que a má fama e a contradição têm a ver com o propósito de Lúcifer e por que Lúcifer seria nosso Libertador? Porque Lúcifer é o anjo da provação, aquele que vai nos testar até a última gota de sangue, até o último segundo, como fez com Cristo. Como provador, é lógico que ele vai nos expor a todo tipo de tentação para que tenhamos a certeza e confiança que nossas virtudes são fortes o suficiente para voltarmos à casa do Pai. Talvez ele se manifeste como a própria tentação dentro de nós. Essa foi a missão que Deus colocou em Lúcifer, portanto, Lúcifer é um anjo de Deus, subordinado a Deus e cumprindo uma missão divina, que é a provação. Ele vai nos expor à tentação do medo, dos excessos, da dúvida, etc. Principalmente, ele vai se mostrar como nosso pior inimigo para testar nosso Amor. As palavras de Jesus “amai vossos inimigos” nos levam diretamente aos braços de Lúcifer, não como um guerreiro ávido por vingança, mas como um cordeiro esbanjando amor ao seu algoz, da mesma forma que Jesus fez. Isso só pode acontecer se tivermos uma fé inabalável em Deus, seguindo os conselhos de salvação do Cristo Cósmico, afinal ele é o Caminho e a Salvação. E no exato instante em que Lúcifer levantar sua adaga para golpear seu cordeiro, como Abraão fez com Isaque no Monte Moriá, se você estiver pronto, lapidado pela fé em Cristo (ou no Deus de seu coração, se você não for Cristão), imerso no amor incondicional que se entrega em holocausto à própria representação do demônio, o próprio Lúcifer vai lançar-lhe o mais terno e amoroso olhar, dizendo: “Eu te liberto!”, e vai apontar para a porta aberta que homem algum pode fechar, indicando o caminho onde resplandecerá a imagem do Cristo Cósmico, recebendo de braços abertos seu cordeiro no seio do Deus Pai.

Não fuja da prova, nem escarneça Lúcifer; ele é um grande professor. Não tenha medo dele, pelo contrario, você deve amá-lo como Cristo o fez e, principalmente, procure entender que ele nos mostra onde precisamos nos aprimorar. Os ensinamentos de salvação já foram dados por Jesus Cristo, mas a prova libertadora será ministrada por Lúcifer.

Estejam todos nas bênçãos dos anjos!

sábado, setembro 03, 2011

Inércia Orgânica

Já que é a “religião” do último século para muitos que acreditam só na materialidade, vamos voltar um pouco para a ciência formal (que para mim é só mais um tipo de religião, como já citei em artigos anteriores), estudar um pouco sobre a tendência do nosso organismo em ser programado e de como essa programação é gravada. Alguns filmes da atualidade buscam trazer essa discussão à tona, sendo que, uma referência interessante para entender um pouco melhor sobre isso é o título “Quem Somos Nós”.

De acordo com os conhecimentos científicos de hoje, podemos dizer que nosso organismo é um conjunto organizado de seres vivos (células, vírus e bactérias) que interagem prioritariamente através da troca de mensagens químicas ou eletroquímicas. Observando a teoria da informação, quando há comunicação, temos um transmissor, um receptor e um meio de transmissão. Por serem químicos, nossos transmissores trabalham com hormônios, proteínas, aminoácidos, etc., nosso meio de comunicação é a “sopa” sanguínea e linfática, e nossos receptores são captadores químicos nas células, ou seja, proteínas e outros componentes celulares que alojam ou reagem às “informações” químicas. Existem também atividades eletroquímicas, bastante comuns no sistema nervoso, cujo funcionamento é similar, porém, além de componentes químicos, há também a transmissão de sinais nervosos. Os detalhes do funcionamento desses mecanismos são extensos e não caberia aqui esmiuçar muita coisa, até porque, pode-se facilmente encontrar informações na internet, então, vou evitar explicações mais técnicas, citando apenas o geral do que a ciência já conhece.

Uma das características de nosso organismo é a capacidade de memorizar reações eletrobioquímicas e, com isso, abre-se a possibilidade de programarmos seu comportamento. É importante notar que o termo “memorizar” também pode ser entendido como “viciar”, portanto, a linha que separa uma resposta programada de uma resposta viciosa é muito tênue, se é que podemos dizer que existe realmente, dado que, em termos químicos, é tudo a mesma coisa; a rigor, separar vício de memória é apenas uma interpretação psicológica. Essa memorização é feita de algumas formas, sendo uma das primeiras a ter sido descoberta foi a programação dos neurônios, que são células com formato “estrelado”, cujas pontas fazem as interconexões nervosas para transmitir os sinais. Os neurônios se comportam de forma a propiciar a repetição de um determinado padrão, seja pela acomodação na reação a um sinal, seja pela tendência em formar mais interconexões para sinais repetitivos. Exemplificando, um neurônio que receba muitos estímulos vibratórios dentro de uma faixa de freqüências entre X e Y tende a responder apenas a essas freqüências, perdendo “performance” nas outras que pouco acontecem. Além disso, ele desenvolve mais pontas nos seus braços, conectando-se a outros neurônios que também propagam esse tipo de estímulo, ou seja, literalmente, há um desenvolvimento ou movimentação fisiológica para que o estímulo repetitivo seja mais facilmente propagado. Isso é comprovado em uma pesquisa feita com taxistas de Londres, que são tidos como excelentes conhecedores dessa cidade. Nessa pesquisa, eles comparam os cérebros de taxistas novatos com os de taxistas experientes, sendo que uma área do cérebro responsável pela memória de localização era muito maior em tamanho e mais desenvolvida nas pessoas com mais experiência. Além disso, fizeram um acompanhamento do desenvolvimento dos novatos, sendo que, durante seu aprendizado, a mesma área foi pouco a pouco aumentando de tamanho, ou seja, podemos dizer que o cérebro se comportou como um músculo que é exercitado, aumentando sua massa para responder à exigência funcional.

Mais recentemente, descobriu-se que as demais células do organismo também têm esse tipo de comportamento, porém voltado para a acomodação bioquímica. As células possuem captadores químicos que absorvem a “informação” bioquímica enviada pelas glândulas endócrinas, ou outros “transmissores”. Quanto mais hormônios ou determinadas substâncias químicas, como glicose ou vitaminas, mais as células desenvolvem captadores bioquímicos para absorvê-las ou até mesmo para reagir ao excesso dessas substâncias. Por exemplo, na andropausa, a quantidade de testosterona diminui e, por conseqüência, a quantidade de captadores de testosterona também, o que contribui para os efeitos dessa fase da vida do homem, como perda da massa muscular, enrijecimento das artérias e aumento de colesterol. Se houver a reposição de testosterona, em um primeiro momento, há um pico desse hormônio no organismo, pois não há captadores suficientes para absorvê-lo; esse pico vai diminuindo na medida em que os captadores voltam a ser criados pelas células, resultando na melhoria de diversas funções orgânicas masculinas, como a atividade e desenvolvimento muscular, capacidade que aos poucos foi perdida por conta do envelhecimento natural. Note que esse processo é lento, ou seja, pode demorar meses para o resultado começar a aparecer, assim como entrar em forma física exige um bom tempo de exercícios físicos regulares. Podemos dizer que, para modificar uma estrutura celular, é necessário um esforço razoavelmente maior do que para mantê-la em uma determinada situação, ou, em outras palavras, para modificar o resultado de um desenvolvimento fisiológico, é necessário esforço para recriar as conexões neurais ou os captadores químicos, lutando contra o hábito ou a programação orgânica. Esse esforço é tanto maior quanto for a idade do indivíduo, pois o envelhecimento prejudica essa troca bioquímica, produzindo cada vez mais resíduos nas reações químicas (os tais dos radicais livres). Programar o organismo é mais fácil que reprogramar, primeiramente porque as primeiras programações são feitas quando o organismo é jovem e segundo porque já houve um desenvolvimento fisiológico que precisa ser revertido de alguma forma. Usando uma analogia como exemplo, perder massa muscular é bem mais difícil do que os músculos ficarem flácidos, ou seja, o desenvolvimento fisiológico deixa seqüelas que na maioria das vezes são difíceis de reverter.

Até agora, falamos de aspectos bem materiais do tema, mas tanto as substâncias bioquímicas quanto os neurônios influenciam enormemente nossos comportamentos e emoções. De fato, a ciência materialista diria o que o termo “influenciam” deveria ser trocado por “determinam”, mas a física quântica já colocou uma pulga atrás da orelha desse conceito, dado que existe um paradoxo na origem da consciência quando analisada pelos axiomas da ciência materialista; paradoxo esse que pode ser resolvido pelos novos axiomas quânticos, transcendentes por natureza; mas isso é assunto para outro artigo. Voltando ao aspecto subjetivo do tema, a conclusão para qual estamos nos encaminhando é que nossa personalidade, emoções, opiniões, comportamentos e etc. provocam alterações fisiológicas que realimentam a perpetuação deles mesmos, o que leva as pessoas a se chafurdarem em armadilhas psicológicas que são difíceis de serem modificadas, por conta do que eu chamo de Inércia Orgânica, ou seja, essa tendência do organismo de se programar bioquimicamente, desenvolvendo caminhos fisiológicos para perpetuar as mesmas reações eletrobioquímicas. Mudar a direção dessa programação exige um esforço muito maior do que o necessário para manter o “movimento”, ou seja, podemos dizer que temos aqui um comportamento similar ao inercial, onde nossos vícios e opiniões constroem meios para manterem-se no mesmo estado e, para mudá-los, precisamos ter a vontade mais forte do que a inércia orgânica, redefinindo os caminhos e as reações bioquímicas do nosso organismo.

Estão aí as bases para entender porque nós mesmos geramos as enfermidades que sofremos. Tomemos por base que nosso organismo se viciou em uma determinada reação bioquímica que gera um grupo de substâncias e resíduos prejudiciais a alguma parte de nosso corpo. Certamente, essa parte será sobrecarregada e, se esse vício não for revertido, provavelmente ela vai se desgastar ou exaurir e começar a falhar, deixar de funcionar como deveria e, muito provavelmente, gerará um efeito cascata em outras partes do organismo. Seria o envelhecimento o resultado dessas disfunções? A resposta é afirmativa para as doenças, mas, como eu disse no início que eu iria voltar à ciência formal, mesmo que haja fortes indícios, por ela ainda não dá para afirmar com certeza de que a resposta seria afirmativa para o envelhecimento em geral, muito embora, certamente seria para o envelhecimento precoce. E o que controla nosso funcionamento eletrobioquímico? Nosso sistema de consciência holístico, seja ela o consciente objetivo, ou o subjetivo e inconsciente. Tomando por base as teorias atuais da física quântica, a consciência é alguma coisa desconhecida, mas que existe antes da manifestação da matéria, ou seja, seria precursora da matéria ou a causa dela e, de alguma forma, a controla. Em suma, nossa saúde estaria totalmente à mercê de nossos pensamentos, emoções, comportamentos, hábitos, instintos, vícios, virtudes, personalidade, etc. e, principalmente, da nossa vontade.

Na minha opinião, se conseguirmos criar aspectos consciencionais que alimentem um organismo harmônico, regenerador e equilibrado, controlaríamos nossa saúde, longevidade e vigor, sendo necessário pouco esforço para mantê-lo nessas condições devido a tal da inércia orgânica. Tudo dependeria de nossa vontade, porém isso é um pouco mais complexo do que parece, pois ninguém vive isolado no mundo e estamos sujeitos e imersos nos vícios sociais, tendo em vista que a própria humanidade, enquanto organismo global, tem sua inércia orgânica que tende a realimentar suas próprias crenças e vícios, portanto, a força que mantém nossa inércia pode ser muito maior do que pensamos, sendo que mudar o destino de nosso organismo pode exigir um movimento de vontade não só nosso, mas de toda uma comunidade. Isso justificaria comportamentos ou doenças endêmicas? Deixo para o leitor refletir sobre o tema, pois, se eu continuar seguindo por essa linha de pensamento, esse artigo vai acabar virando um livro, afinal, ciência e filosofia geram mais perguntas que respostas, sendo que as respostas viram tecnologia.

Pense nisso e entenda que exercitar virtudes é uma tarefa árdua, mas recompensadora.

Deus abençoe a todos.

segunda-feira, agosto 01, 2011

A Ecologia Próspera

Hoje o tema será polêmico e algumas pessoas podem julgar que eu sou contra os ecologistas, mas isso não é verdade. Minha questão deve ser analisada sob o aspecto psíquico e como determinados pensamentos acabam reforçando nossa tendência destrutiva e autopunitiva. É como se perguntássemos para nós mesmos como sair de um buraco que mal sabemos como entramos e nem o que está fazendo com que fiquemos lá.

Analisando mais amiúde o pensamento ecológico é possível notar que ele, em parte, é fruto de algumas “vibrações” mentais perniciosas e que, apesar do objetivo ser muito louvável, se continuarmos com esse padrão de pensamento não tem como melhorar nossa harmonia com a natureza, pelo contrário, pode afundar mais ainda a estrutura psíquica do planeta. O primeiro padrão que vemos é o da revolta, muito bem explorada por alguns grupos ativistas (de novo, acho o trabalho deles altamente louvável, mas, é uma revolta e com ações agressivas, gerando respostas agressivas). A revolta parte do pressuposto de que precisamos destruir as estruturas que mantém o modelo sócio-econômico da forma como está, além de estabelecer “inimigos” diretos que precisam ser detidos. Outro padrão pernicioso de pensamento é a disseminação do medo quanto ao possível e talvez próximo colapso do planeta, as catástrofes naturais e outras calamidades que todos estarão sujeitos e que, de fato, nossa consciência coletiva enquanto humanidade já está tratando de nos mostrar externamente através dos eventos naturais que têm causado as recentes comoções mundiais. Afirma-se que o planeta não tem capacidade para sustentar nossa exigência de conforto, como se ela fosse um pecado mortal. Por fim, nos faz sentir culpados por almejar o progresso e a prosperidade, além de escarnecer nossos ancestrais quanto às ações errôneas deles que levaram a esse nível de destruição planetária, como se o ser humano fosse perfeito e não tivesse que aprender com seus próprios erros. Do outro lado do ringue, temos os “novos velhos” reis, sustentados por sua ganância e desejo de poder que, com medo de terem seu vício pelos metais alijado, tratam de exercer a mesma ação prepotente de tempos passados na recusa de contribuir com sua parte para que possamos realmente buscar uma solução eficaz para a questão. No popular: dá para ser feliz assim? Lógico que não; não tem amor, não tem cooperação, não tem tolerância, não tem altruísmo ou intenções magnânimas, aliás, cada um está tentando salvar o seu e, com isso, destruindo as colunas que sustentam o teto sobre a cabeça de todos nós.

Mas se ambos os lados estão sendo destrutivos, o que está certo e o que está errado? Achar que tem algo certo ou errado já é um pensamento que gera conflitos, então, eu diria que poderíamos começar por aí, ou seja, deixarmos de ser maniqueístas. O céu e o inferno estão nos nossos corações e, filosoficamente, podemos derivar daí que certo ou errado é uma mera questão de ponto de vista, por mais que muitos moralistas e religiosos digam que as coisas devem sem classificadas dessa forma. De fato, o que existe realmente neste mundo são situações (ou até melhor, vibrações) construtivas ou destrutivas, harmônicas ou desarmônicas, de progresso ou de escassez, de amor ou de medo e por aí vai.

Pelo princípio da ressonância, toda vibração gerada por um sistema causa efeitos em outro sistema cuja freqüência natural, ou simpática, seja aproximadamente a mesma da original. Caso haja uma fonte de energia alimentando algum dos sistemas, ocorre o fenômeno da amplificação, potencializando sobremaneira o resultado dessa interação. É... eu sei, foi muito técnico; então vamos trocar em miúdos isso um pouco. Primeiro, temos que entender que a ressonância é largamente utilizada em nossa volta através da nossa engenharia. Você consegue ler isso porque tem um monte de rádios ou circuitos ressonantes transmitindo a informação até você, sendo que eles usam exatamente o princípio que eu mencionei acima. Telefones, rádios, modems, TVs, micro-ondas, em suma, tudo que tem eletrônica, tem ressonância envolvida para poder selecionar e transmitir informações, sendo esses os usos em parte construtivos do fenômeno da ressonância. Mas tudo tem conseqüências quando usado de forma desarmônica; por exemplo, já existem estudos sérios apontando interações desarmônicas entre as ondas do telefone celular e as células cerebrais, podendo levar a tumores letais na cabeça. Outra curiosidade é a freqüência da eletricidade que circula pelas tomadas das nossas casas e que ressoa com os átomos de fósforo existentes no nosso corpo. O fósforo junto com o cálcio são muito importantes para o sistema muscular e o nervoso, ou seja, se excitarmos os átomos de fósforo, o que isso pode causar a sistemas vitais de nosso corpo? Os poucos estudos que eu já vi mostram que tem impacto sim, tanto que há normas bem rígidas sobre transmissão e transformação elétrica no Reino Unido por conta disso. E nós estamos cercados de tomadas, rádios, luzes, transmissores públicos e etc., irradiando todo tipo de freqüência de rádio ao redor de nós; depois nos perguntamos porque as pessoas estão tão estressadas e todos parecem irracionais e desorientados.

Mas eu não sou tecnofóbico, pelo contrário, gosto de tecnologia, só acho que nossa tecnologia atual ainda está baseada em modelos antigos, ainda não muito bem sintonizados com a natureza, portanto, precisam progredir para se harmonizar com ela. Isso só pode acontecer se nosso pensamento for harmônico com essa mesma natureza. Tudo que nós já criamos nesse mundo é resultado de nosso pensamento, de nosso sentimento, de nossas vibrações mentais, que, por sinal, podem ser medidas por aparelhos (ex.: eletroencefalograma) e também são irradiadas eletromagneticamente. Se estivermos com vibrações mentais contaminadas, nossa criação propagará essa contaminação e, se inserirmos energia nela, essa contaminação será amplificada. Veja que até agora só estou falando de coisas palpáveis e detectáveis por métodos da ciência materialista, mas existem muitos estudos metafísicos que tratam de coisas menos palpáveis e que também podem ser testadas. De qualquer forma, não precisa muito esforço para juntar as peças e ver que, se nosso pensamento pode irradiar ondas de todo tipo, físicas e metafísicas, que podem ser amplificadas, o que acontece então se tivermos 7 bilhões de mentes irradiando pensamentos que não podemos dizer que são verdadeiramente harmônicos com a natureza? O mundo é o resultado dos nossos pensamentos, então, se estamos vendo esse nível de perturbação natural e no equilíbrio consciencional das pessoas, temos que nos preocupar muito mesmo sobre o que pensamos e o que criamos.

Dito isso, fica um pouco mais claro como acredito que devemos direcionar nosso pensamento ecológico. Eu diria que ele não deve dizer que as coisas vão acabar, pois esse é um pensamento de escassez. Deveria sim nos estimular a criar a abundância através da reforma da tecnologia. Ele não deve dizer que o conforto e o consumo devem ser detidos, mas sim que o modelo que governa o ciclo de vida de qualquer produto ou serviço deve ser revisto e reformulado para sintonizar-se com visões construtivas de mundo. Não deve disseminar medo por conta de possíveis catástrofes naturais, mas deve fomentar o aumento da harmonia com os meios naturais. Deve incentivar a cooperação entre as pessoas. Deve incentivar a compreensão de que estamos desorientados e que precisamos nos unir para nos reorientarmos. Deve tratar de amplificar o afeto, a amizade, a cooperação em vez de amplificar os conflitos, as afrontas e o desequilíbrio. Se o mundo é o resultado de nossos pensamentos, ele é um espelho, um reflexo de como estamos por dentro. A natureza absorve e reage às vibrações de nossos pensamentos, sejam elas físicas ou metafísicas, portanto, para acabarmos com as catástrofes naturais, temos que apaziguá-las na nossa consciência, para criarmos tecnologias salutares, temos que estar saudáveis em nossas mentes, para criarmos harmonia e paz, temos que procurar harmonia e paz em nós. Esse é o verdadeiro pensamento ecológico que gera abundância, progresso e harmonia natural. Isso é viável sim e Gandhi nos mostrou isso durante sua passagem aqui pela terra. Não é preciso agredir nada nem ninguém para mudar as coisas, mas sim, ter firmeza de princípios.

O mundo não vai acabar, mas podemos criar muitos problemas para nós se continuarmos nos recusando a realizar a reforma interna do nosso ser, apaziguando as tempestades, terremotos e tsunamis da nossa consciência. Podemos até decidir que vamos acabar com a vida na terra, porém, tenha em mente que essa é uma decisão nossa e que começa no íntimo de cada um de nós, nos nossos desejos e raivas, nos nossos medos, na nossa contaminação mental que, por sinal, está refletida na poluição planetária.

Comece agora: um pensamento construtivo amplificado pode mudar tudo. Assuma a responsabilidade de ter uma vida abundante e construtiva, buscando ajuda onde for necessário. Fomente a alegria, a cooperação, o afeto, a compreensão, o amor, em suma, todas as virtudes já bem conhecidas, pois são elas que vão criar o mundo próspero e ecologicamente sustentável. Comece com você, seja sustentável em seu ser, use a energia da virtude para te sustentar. Seja parte da natureza próspera e irradie esse pensamento ao seu redor.

Muita Paz e Luz para todos.

terça-feira, julho 19, 2011

Carma e Darma

Esses dois conceitos são muito comentados, mas muito pouco compreendidos. A questão é que muita gente ouve sobre eles de outros tantos que também ouviram, acabando por perpetuar o famoso “telefone sem fio”, cuja mensagem final, como sabemos, é sempre bem distante da mensagem original. O fato é que eles são muito profundos e para podermos entendê-los por nós mesmos, precisamos estudar e refletir sobre as orientações dos grandes instrutores.

Mas vamos começar este ensaio com o clichê etimológico, ou seja, qual a origem dessas palavras? Eu imagino que seja muito antiga, mas, o mais antigo que eu consegui chegar foi no sânscrito que, como vocês sabem, é uma língua bem falecida e enterrada. Isso significa que o que se conhece dela é proveniente de estudiosos que interpretaram o significado das palavras e que não têm necessariamente uma visão filosófica ou teosófica do assunto. De qualquer forma, eles são uma referência e, associados a um pouco de inspiração e estudo místico, podemos aos poucos desvendar o véu que oculta seu significado. Mas voltando à etimologia, o termo Carma vem do sânscrito Karmam que, segundo os estudiosos, significa simplesmente “ação”, porém, foi utilizado nas doutrinas orientais para expressar o conceito de causa e efeito. O termo Darma também vem do sânscrito Dharma, significando, segundo os estudiosos, “lei natural” ou “realidade”, o que por si só já são dois conceitos bem diferentes entre si. Em termos doutrinários, eu diria que o significado é ainda mais controverso, pois é usado para expressar algumas idéias como: mérito, proteção, oposto de Carma, e por aí vai.

Não quero aqui ser o dono da verdade e explicar definitivamente o que são os dois termos, até porque, eu ainda procuro respostas para meus questionamentos sobre eles, mas vou apresentar meu entendimento após o estudo de algumas linhas de pensamento tanto orientais como ocidentais. A idéia é instigar a curiosidade e reflexão sobre esse tema. Além disso, por ser um tema semelhante, é provável que haja algumas idéias repetidas em relação ao artigo anterior.

O primeiro ponto que gostaria de deixar claro é que Darma não é especificamente o oposto de Carma, mas sim, são termos que expressam conceitos simplesmente diferentes. No artigo anterior, eu descrevi o Carma como uma composição da lei de causa e efeito e da lei de ação e reação. Se analisarmos as duas leis dentro do tecido de espaço-tempo, podemos dizer que ação e reação ocorrem no mesmo instante, ou seja, é uma manifestação vertical em relação ao tempo. Por outro lado, causa e efeito ocorrem ao longo do tempo, ou seja, é uma manifestação horizontal em relação ao tempo. Com essa idéia em mente, fica claro que ambas as leis representam o mesmo conceito, o que varia é sua orientação em relação ao tempo. Essa visão pode parecer bizarra, mas quando falamos de consciência, temos que transcender o espaço-tempo, dado que esse tecido é um componente da parte material da energia universal. De fato, não se pode afirmar que a consciência e o espírito existem apenas na matéria ou que sejam derivados dela, especialmente depois do advento da física quântica, que tirou todos os pilares de sustentação dessas idéias, mas isso é assunto para outro artigo.

Voltando ao Carma, se tomarmos a versão vertical da ação e reação, segundo a própria física, para cada ação existe uma reação de mesma intensidade em sentido oposto, portanto, mesmo que Carma em sânscrito signifique apenas ação, pela física, ação e reação estão interligadas e uma coisa não existe sem a outra na matéria. Aí você pode dizer: “mas a ação da física versa sobre os corpos e as forças que incidem neles e a ação da qual deriva o verbo agir é outra coisa.” Usando a idéia que propus, não é difícil perceber que agir é a versão horizontal da lei de ação e reação aplicada à vontade, que acostumou-se chamá-la de lei de causa e efeito, mas que essencialmente não há diferenças. Mais ainda, se nossa mente objetiva não estivesse presa à passagem do tempo, vindo do passado para o futuro, eu diria que não há impedimento algum para que a lei funcione de trás para frente, ou seja, que uma ação que acontece no futuro pudesse gerar efeitos no passado, afinal, como disse, tempo e espaço é só um tecido, um cenário, onde acontece o drama da existência material e suas experiências consciencionais. Essa possibilidade, ainda mais bizarra, suscita diversos questionamentos sobre a relação entre passado e futuro e nossa concepção sobre eles. De fato, a causalidade pode ser apenas uma interpretação nossa de algo que nossa mente sequer consegue ainda conceber. Deixo o leitor ao sabor de sua imaginação quanto a isso por hora.

A filosofia clássica aponta a vida como uma sucessão de causas e efeitos, ou seja, um efeito, em geral, também é uma causa para um outro efeito e assim por diante, tendendo ao infinito. As ciências ocultas (em especial, a Cabala) expressam esse conceito no termo Jeová, que é composto pelas letras hebraicas Iod, He, Vau, He. Note que Jeová também é usado como significando Deus em algumas doutrinas. De forma simplista, um ocultista entende o ciclo Iod-He-Vau-He da seguinte forma:

    - Iod é a causa, princípio da ação;
    - O primeiro He é o elemento atrativo que recebe a energia ativa do Iod;
    - Vau é o filho, ou seja, o resultado da ação Iod aplicada no primeiro He;
    - O último He pode ser duas coisas: o usufruto do resultado Vau, ou, além disso, pode se transformar em um outro Iod, ou seja, o efeito levando a uma segunda causa.

O ciclo Jeová é representado por uma cruz eqüilátera onde cada letra ocupa uma de suas hastes. Um detalhe interessante do ciclo é que, quando o segundo He atua como um segundo Iod, ele rotaciona a cruz fazendo com que o segundo Iod passe a ocupar o lugar do segundo He, o que se traduz em um movimento circular. Se esticarmos esse movimento perpendicular ao plano da cruz (colocá-lo em terceira dimensão) teremos uma espiral que, olhada de lado, parece uma onda. Vários pensadores citam essa idéia de espiralado ou ondular para a ascensão da consciência (Eliphas Levi, Papus, Pietro Ubaldi, Confúcio, etc.), donde se pode associar que o Carma é um recurso para auxiliar o progresso da consciência e, ao contrário do que muitos pensam, não tem nada a ver com castigo ou punição divina, até porque, como qualquer instrumento, ele não tem valor em si, pode ser positivo, negativo, bom, mau, certo, errado ou qualquer atributo de valor que queiramos dar. Essa é a primeira correção que devemos fazer em nossa psique: o Carma não é ruim nem bom, é só uma lei cujo resultado até pode ser avaliado como bom ou ruim pela nossa consciência, mas que não guarda intrinsecamente qualquer relação com esse valor. Seraphis Bay inclusive afirma no livro “Um Manual para a Ascensão”, canalizado por Tony Stubbs, que o Carma é uma lei criada por nós mesmos e que deveria ser usada enquanto não tivéssemos a consciência de que somos espírito, ou seja, que nossa parte material com sua consciência objetiva é apenas um estágio de condensação da energia espiritual universal e que não difere em nada dessa energia, sendo apenas uma forma específica de organização dela. No momento que tivermos a devida consciência de que somos espírito, podemos decretar o fim do Carma, pois o propósito dele deixou existir.

Se isso for verdade, o que sobra então? Bem... em tese, não precisaria sobrar nada, mas eu diria que se tem alguma coisa que precise sobrar, essa coisa é o Darma. Para mim, Darma não é oposto do Carma, também não é mérito, nem qualquer conceito que possa estar ligado a bom ou ruim, certo ou errado, ou qualquer outro juízo de valor que faça parte da interpretação objetiva do plano material. Usar o termo “Realidade” para Darma até poderia fazer sentido se nós não tivéssemos uma visão parcial do que é realidade. Vários sábios identificam a realidade como aquilo que é real, mas não só o que é real na matéria, simplesmente porque, segundo eles, a matéria é uma ilusão dos sentidos, uma projeção de uma consciência superior, portanto, matéria é só uma pequena parte da realidade. Além disso, algumas escolas de mistério identificam o termo “Realidade” com a percepção pelos sentidos, portanto, uma interpretação de reflexos que até podem ser provenientes da verdade, mas que, por serem interpretações, em geral seu significado não guarda identidade alguma com a essência original verdadeira. “Lei Natural” é mais simpático para mim para representar o Darma, mas eu vou além; Darma para mim é quando a vontade do homem está alinhada com a vontade de Deus e o homem realiza o propósito que Deus determinou para ele na matéria, ou seja, o homem passa a ser um instrumento da Paz de Deus, o próprio Deus encarnado, o médium entre o céu e a terra, ou ainda, o jardineiro de Deus. Quando isso acontece, não há mais necessidade do Carma, dado que, como citado acima, o Carma tem um propósito educativo e se estivermos em Deus, realizando o propósito de Deus, já estaríamos “formados” na universidade divina. Uma lei natural simplesmente acontece naturalmente, como os planetas ao redor de um sol, o vento, a chuva, o fogo, enfim, todos os movimentos naturais que os filósofos orientais tão bem incorporam na sua visão existencial, os expondo em seus ensinamentos maravilhosos.

Darma e Carma são estados existenciais. Quando estamos no Carma, estamos sujeitos às conseqüências de nossos atos, em uma sucessão eterna de causas e efeitos. Quando estamos no Darma, estamos em Deus, realizando Sua vontade e vivenciando Sua Paz. Como qualquer estado existencial, até atingirmos o grau de estabilidade consciencional dármica, podemos oscilar entre Carma e Darma, conforme estivermos mais ou menos alinhados com o propósito de Deus. Quanto mais estivermos próximos do coração dármico, mais a Paz divina se manifesta em nosso ser e mais podemos manifestar naturalmente a sabedoria, consciência e poderes divinos, mais podemos andar sobre as águas e curar os enfermos apenas com nossa presença, com nosso Amor e, com isso, manifestar a felicidade divina em nós e ao nosso redor, como Cristo fez quando esteve por aqui. Não há felicidade perfeita no Carma, apenas no Darma e toda manifestação de felicidade pura provém do estado dármico.

Qual o seu propósito de estar aqui encarnado? Esse é o verdadeiro significado da sua vida, portanto, procure-o assim como você precisa do ar para respirar. Não o procure sozinho, peça ajuda para Deus, para que Ele possa guiá-lo, para que Ele possa estar junto do seu coração nessa busca. A verdadeira reflexão é aquela que reflete o Cristo em seu ser.

Que Deus inspire sua felicidade!

segunda-feira, outubro 10, 2005

Um Pouco Sobre Carma

Recentemente recebi um e-mail de uma leitora me questionando sobre o que seria “fato cármico”. A resposta foi mais ou menos o artigo abaixo, onde resolvi falar um pouco sobre Carma. Agradeço a pergunta dela, pois acabou sendo uma boa sugestão de tema.

De fato, eu nunca me atentei para essa expressão em textos antes, até porque, o termo Carma já diz muita coisa por si só. Não me parece uma expressão usada para identificar alguma coisa em especial (como o caso de expressões técnicas), mas sim uma forma de destacar uma situação que possa ter sido conseqüência de ações do passado, ou seja, uma condição cármica. Em vez de fixar-me na expressão em si, vou tentar esclarecer meu entendimento atual sobre Carma. Antes de mais nada, é importante ter consciência de que Carma é um assunto muito vasto e que para algumas pessoas pode não ser fácil de compreender, pois há muita especulação e muitas interpretações sobre ele. Refleti muito sobre Carma e hoje é algo que me parece simples, o que não significa que eu esteja perfeitamente certo, se é que existe alguma teoria completamente certa no mundo das manifestações materiais.

Carma para mim é uma lei elementar e essencialmente simples, porém muito abrangente no que tange à compreensão dele e das suas manifestações. Eu associo Carma à duas leis estudadas pela física: causa e efeito; ação e reação; porém considerando-as em um aspecto mais amplo, englobando a existência psíquica do ser. Para mim, a amplitude do Carma engloba ambas as leis e vai além, ou seja, essas condições físicas são manifestações do Carma universal, sendo ambas essencialmente a mesma coisa. Para simplificar as coisas, vamos então partir do micro para o macro, ou seja, vamos entender a física para tentar entender o Carma. Vamos começar com a lei de ação e reação, a qual diz que para toda a ação, existe uma reação de mesma intensidade e no sentido contrário. Sendo mais objetivo, se você empurrar um carro, o carro vai “resistir” ou vai “empurrar” você da mesma forma, com uma força igual, porém agindo contra você. Note que nesse primeiro exemplo, ambas as forças ocorrem exatamente no mesmo lugar do espaço-tempo (no mesmo ponto de aplicação da força e no mesmo instante), porém, podemos expandir esse conceito observando os efeitos ao longo do tempo e com isso mudar os termos de “ação e reação” para “causa e efeito”, muito embora, em termos físicos, há algumas diferenças entre as duas leis.

Para exemplificar o conceito de “causa e efeito” e ainda no âmbito dos fenômenos físicos, podemos imaginar a queima de um papel, onde pegamos um papel comum e um isqueiro, acendemos o fogo e o aproximamos do papel, sendo que essa ação terá como conseqüência (ou efeito) a queima do papel. O processo de queima do papel é um conjunto de causas e efeitos que tem como conseqüência final a geração de cinzas e liberação de energia potencial que estava aprisionada (o potencial combustível do papel) na forma de calor. Todo esse movimento tende ao equilíbrio, muito embora, a cadeia de acontecimentos até lá ocorre ao longo do tempo, além disso, quando se atinge a condição de cinzas, o movimento parece cessar e as cinzas ficam relativamente estáveis (quando digo relativamente, quero dizer que o tempo para gerar as cinzas é tremendamente mais rápido do que o tempo de degradação dessas cinzas no meio-ambiente). Expandindo mais a idéia, note que para haver as condições necessárias à combustão do papel, muitas outras causas ocorreram antes, como, por exemplo, a fabricação do isqueiro, do papel, a existência de oxigênio, o transporte disso tudo para o local onde você está, etc., etc., etc., em suma, a existência do papel e do isqueiro é o efeito de diversas causas e aqui, para usar o mesmo termo que você mencionou, podemos dizer que são "fatos cármicos", ou seja, muitos acontecimentos e decisões existiram para que a condição de você queimar o papel pudesse se manifestar.

Expandindo mais um pouco a idéia, porém saindo da física e indo para o campo psíquico, nossos hábitos, caráter, personalidade, etc. são resultados de diversas causas situadas em diversos pontos espaço-temporais do universo que podem ser físicos ou psíquicos, uma vez que a forma como abordamos o mundo é o resultado de nossa configuração genética, da nossa capacidade física, da nossa educação, dos nossos dons (que, para muitas linhas de pensamento são resultados de nossas experiências em encarnações anteriores), das influências sociais e espirituais que sofremos e, finalmente, da inspiração divina em nossa consciência. Com exceção da inspiração divina, eu acredito que todos os demais fatores são abrangidos pela lei de causa e efeito, portanto, são condições cármicas, ou ainda, fatos cármicos. Mesmo a inspiração divina pode estar sujeita à questão cármica, pois nosso nível de consciência pode definir se vamos nos entregar ou não a essa inspiração, se vamos conseguir ouvir essa inspiração e se vamos ter méritos ou não para receber essa dádiva, muito embora, nada disso é necessário se Deus realmente quiser nos inspirar, pois Deus está além do Carma, mesmo que Ele possa querer se submeter a essa lei.

É importante ressaltar que dois conceitos foram expostos aqui e, como disse acima, eu os associo ao Carma. Podemos sintetizá-los unindo os dois pólos de cada lei e fazendo com que funcionem em conjunto, ou seja, ligar causa à ação e efeito à reação. Além da idéia de conseqüência implícita no próprio significado das palavras, temos dois elementos relevantes na explicação das leis. Um deles é a idéia de que as coisas podem ocorrer ao longo do tempo (causa e efeito), o outro é que a ação que parte do sujeito retorna a ele com igual intensidade (ação e reação). Fazendo isso, podemos dizer de um modo um pouco mais direto que nossas ações são as causas que ao longo do tempo produzirão efeitos dirigidos a nós mesmos e isso para mim tem tudo a ver com o Carma. Além disso, podemos identificar uma miríade de desdobramentos dos atributos dessas leis. Analisando "nossas ações", podemos ver que se for uma ação individual, esse Carma pode ser identificado como "Carma pessoal", se for uma ação de um grupo de pessoas ou todo um povo, podemos identificá-lo como "Carma coletivo", se for uma ação de toda humanidade, a identificação pode ser "Carma planetário". Analisando "ao longo do tempo", nota-se que pode ser imediato, como no caso da ação e reação, ou que pode levar um bom tempo para exercer seus efeitos, até mesmo gerações. Quando falamos de gerações, fica fácil entender o chamado "Carma genético", que é aquele que incide diretamente na matéria e se propaga através dos descendentes biológicos, em outras palavras, se nascemos em uma determinada família, temos a responsabilidade de aperfeiçoar o padrão genético daquela linhagem biológica e isso também é Carma. Porém, gerações pode identificar um intervalo de tempo muito grande, onde os efeitos das suas ações individuais podem não conseguir produzir conseqüências dentro dos limites de tempo da sua vida e, se considerarmos que as causas "produzirão efeitos dirigidos a nós mesmos", temos aí uma das grandes justificativas apontadas por diversas linhas de pensamento para a necessidade das reencarnações, pois sem elas a lei do Carma não se cumpre. Há também um elemento muito misericordioso dessa lei que é a possibilidade de compensação do Carma, mas não vou entrar em detalhes sobre isso neste momento, pois além de controverso, uma vez que algumas linhas de pensamento não aceitam essa possibilidade, iria estender por demais esse artigo.

De qualquer forma, o mais importante de tudo isso não é o aspecto mecanicista da questão, mas o significado dela. Carma é uma das mais maravilhosas formas que Deus criou para que possamos aprender e desenvolver nossa consciência. Ele não está aí para nos castigar, mas para corrigir nosso rumo, ou seja, tentar nos recolocar em uma situação de equilíbrio cósmico. Se sairmos da estrada por qualquer motivo, que pode até mesmo ser curiosidade, essa lei nos atinge para nos mostrar o caminho que nos levará para Deus. Se corrermos pela estrada em direção à Deus, chegaremos mais rápido até Ele. E como saber qual o caminho da estrada de Deus? Entregue sua consciência a Ele. De fato, nós mesmos não deixamos que isso seja fácil, mas como indicou Jesus, temos que bater na porta que ela se abrirá.

Voltando à sua pergunta e sendo bem sintético na conclusão, eu diria que "fato cármico" é o resultado de todas as causas originadas por um dado sujeito antes daquele momento em que o fato ocorre e de forma a atingir o próprio sujeito. Como disse no início, esse assunto é muito vasto e voltarei a ele em uma próxima oportunidade.

Muita Paz para vocês!

sexta-feira, setembro 23, 2005

Bluguita - O Blog das Citações

Amigos leitores. Sei que estou um pouco relapso na publicação de algumas matérias aqui no Blugo. Sem querer me justificar, pois eu deveria encontrar espaço na minha agenda para continuar escrevendo, de fato, Deus tem me oferecido muitas oportunidades para fortalecimento e elevação da minha consciência através das experiências da vida, que são difíceis por vezes. Estou certo de que isso não é privilégio meu e que todos estão tendo as mesmas oportunidades, tendo que superar seus limites e lidar com seus carmas.

De qualquer forma, eu não gosto de deixá-los sem trazer-lhes alguma informação, portanto, resolvi criar um Blog para textos rápidos, de forma que eu possa fazer postagens mais freqüentemente. Isso não significa que não continuarei trazendo matérias mais detalhadas no Blugo, apenas que quero estar mais próximos de vocês.

Espero que vocês possam aproveitar o Bluguita - O Blog das Citações. Lá haverá não só citações que eventualmente vierem através da minha consciência, mas também citações de autores ou livros famosos, quando eu mencionarei a fonte, como não poderia deixar de ser.

Paz e Luz para todos vocês!

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Mais Reflexões sobre o Maremoto

Quase 230 mil mortos na data em que escrevo isto. Na matéria anterior estávamos falando apenas de 30 mil. Muito? Se compararmos com eventos que estão registrados da história atual da humanidade, é. Se compararmos com as teses da teosofia, não. De qualquer forma, o sentimento geral é de catástrofe, muito embora, muitos já tenham perdido o contato emocional com o ocorrido, uma vez que pouco se fala disso na mídia neste momento. É triste constatar isso, mas os fatos relevantes para esse tipo de indústria já acabaram, restando apenas os números.

Entretanto, os resultados do fenômeno continuam lá, junto aos milhões de desabrigados, sem contar as conseqüências geológicas. Ilhas mudaram de lugar, o eixo da terra foi deslocado e os dias estão mais curtos. Por mais imateriais que sejam as dimensões dessas mudanças físicas (20 metros aqui, 6 centímetros ali), elas ocorreram. Como conseqüência natural do evento, houve e ainda está havendo abalos secundários às centenas na região e não são abalos pequenos. Fiz uma pesquisa na internet e constatei que esses sismos variam de 4,4 a 7,1 na escala Richter (7,1 é bem forte), uns 20% a 25% deles acima de 5,5. Também está havendo um crescimento do número de abalos na região da Oceania e na falha da Califórnia onde, aliás, o aumento foi significativo. Houve 8 abalos pequenos nesta falha no mês de dezembro até o dia 26 e mais de 50 depois da tragédia, chegando até 4,5 na escala Richter. O que isso significa? Alguns consideram isso um sinal da natureza, outros de Deus. Para mim, é o resultado da lei de causa e efeito, não no sentido estrito, mas no sentido completo, físico e espiritual. O mundo está constantemente se transformando em corpo e alma, o que pressupõe movimento. Isso nos obriga a olhar as coisas de outra forma, afinal somos viajantes carregados por Melki-Tsedek. Sob o aspecto físico, obviamente as placas tectônicas estão se acomodando na nova posição. Sob o ponto de vista místico, as idéias evoluem e adquirem novas formas. Não podemos deixar de nos indagar se não estaríamos nos aproximando da realização de velhas profecias, muito embora, eu prefiro não corroborar com essa idéia, uma vez que podemos dirigir nosso pensamento para a harmonia e nada de desastroso precisa acontecer se deixarmos a divina essência nos guiar.

No meu modo de ver, alguns sinais menos contundentes são mais importantes que o impacto causado pela tragédia. A mídia informou que a ciência conseguiu a comprovação que precisava sobre o chamado “sexto sentido” dos animais. Segundo consta, não encontraram nenhum animal morto, todos conseguiram se salvar em um movimento de evacuação que deixaria surpreso qualquer departamento de defesa civil. Tivemos até mesmo animais guiando seres humanos, como o caso dos elefantes de um zoológico que destruíram suas jaulas e fugiram colina acima, sendo que muitas pessoas os acompanharam. Várias tribos aborígines foram alertadas do fenômeno por pássaros e se refugiaram nos morros, salvando todos da aldeia. Eles demonstraram o quanto os ditos “civilizados” não têm civilidade suficiente para escutar as palavras da natureza e deixaram patente a pequenez e fragilidade deste homem e suas criações. O homem pode sim comandar a natureza, mas para isso tem que se render à divindade que existe em sua alma, só assim Deus entregará o poder divino em nossas mãos. Mesmo assim, nos dará também a sabedoria para que respeitemos as mudanças necessárias que a natureza realiza, “não retendo a água num momento que ela deve correr”, “não extinguindo a chama quando ela deve arder” (retirado de um texto Rosacruz).

Outro ponto que ficou bastante claro é: aquele que não encerrou sua missão aqui, se salva como que por milagre, ou seja, pode estar no meio do fogo, mas não se queima. Se bem que em vez de fogo, água é a palavra mais adequada aqui, como o caso dos mergulhadores que ficaram poucos metros abaixo da onda e não se aperceberam do que acontecia. Além das várias pessoas que decidiram não sair do hotel, ou perderam o transporte e não conseguiram chegar a seu destino, ou mesmo ficaram flutuando ao léu até serem encontradas, incluindo aqui bebês e crianças.

O fato que mais me causou alegria é que existem multidões de pessoas interessadas em exercitar suas virtudes. No dia seguinte ao ocorrido, havia pessoas de todas as partes do mundo deixando seus afazeres e compromissos com destino às áreas afetadas com o único intuito de ajudar. Um grande exemplo de dedicação ao próximo (talvez nem tão próximo). Além disso, muitos dos que não tiveram a disponibilidade de se deslocar até lá fizeram sua parte onde estavam mesmo, arrumando formas de coletar ou transportar donativos de toda a espécie para as vítimas, em um feliz e saudável esforço de solidariedade. Alguns esbravejaram contra os arrogantes, fazendo eles moverem-se, o que também é louvável. Às vezes é difícil entender o que aconteceu, especialmente quando estamos do outro lado do mundo e o evento é tão inusitado que quase chega a ser surreal. Mesmo que alguma nação tenha se movido por obrigação ou pela vergonha da omissão, ainda sim há mérito nisso, pois mostra que ainda existe a semente da solidariedade no coração daqueles líderes, mesmo que semeada em campos estéreis. Uma boa rega pode fazê-la brotar, talvez mirrada ou tosca, mas brota. Em suma, a estrondosa maioria se mobilizou, não importando credos e etnias. Isso prova que o bem está no meio de nós e que estamos apenas fragilizados pela campanha de desgraça que algumas pessoas insistem em disseminar pelo mundo.

O que precisamos para que possamos nos mobilizar pelo bem? Mais catástrofes? Mais sofrimento? Mais algum mártir que entregue sua vida para nos salvar? Pensem, quantas pessoas boas existem para cada sádico? Quantos amigos viciados você tem para cada amigo são? Quantos ladrões para cada bom samaritano? Não que não exista a maldade no mundo, nem que ela não seja destrutiva e medonha, mas existe muito mais histeria com relação a isso do que realmente os números indicam. Na verdade, o que existe é medo, que gera omissão e reações destrutivas. Há uma supervalorização do instinto de sobrevivência que leva muitos a se desconectarem do Grande Pai. Se você é uma criança e confia em seu pai, o que você faz frente ao perigo? Coloca-se atrás dele e confia em sua força. Se você está longe do seu pai, o que você faz? Arranja uma toca e se encarcera lá, acumulando provisões para sobreviver, saindo apenas quando é seguro. Além disso, você se arma e fica preparado para reagir destrutivamente ao primeiro sinal de perigo. Isso também acontece em termos psicológicos, criando idéias preconceituosas e guerras santas. Se além do seu pai, você tiver amigos ao seu lado, você se esconde do perigo, ou estufa o peito e junto com todos o enfrenta?

Temos que confiar em nosso Pai e juntar nossos amigos para criar uma aldeia global, onde o perigo é a desigualdade, o preconceito e o desamor. Se isso fosse feito, não teríamos uma luta tão dura pela sobrevivência e pela paz. Aliás, lutar pela paz é o mais irracional dos paradoxos. Podemos sim pacificar pela igualdade, liberdade e fraternidade, pacificar pela confiança, virtude e sinceridade, pacificar pela luz, vida e amor. Vamos pacificar!

terça-feira, dezembro 28, 2004

Reflexões sobre o Maremoto

Hoje recebi um e-mail com a seguinte indagação:

"Oi Hugo,

Tudo bem?

Pois é, o mundo parece que não...

Fiquei realmente assustada com a tragédia na Ásia. Fico pensando, porquê tantos mortos? Porquê a Ásia? Você comentou algo sobre haver uma "limpeza" no mundo... Isto tem algum sentido? Quando se fala de 200 mortos, por exemplo, já é um número alto, mas foram mais de 30 mil....

Tem alguma explicação para esta tragédia?"


Aproveitei a oportunidade para fazer algumas reflexões que eu gostaria de compartilhar com vocês aqui. Basicamente, minha resposta foi essa (logicamente, houve alguma revisão para colocá-la aqui):

"30 mil pode não ser um número alto, muito embora possa parecer chocante para as pessoas. Veja que algumas linhas de pensamento falam em redução de 2/3 da população mundial, ou seja, algo em torno dos 4 bilhões. Logicamente, não deve acontecer de uma vez, mas ao longo de uns 30 ou 50 anos, ou seja, algo entre 80 e 134 milhões por ano (pouco mais de meio Brasil por ano). Também não há garantias de que alguma limpeza tenha que ocorrer, apenas profecias.

Nós costumamos separar a morte da vida, mas o fato é que a morte faz parte da vida. De fato, nós deveríamos viver a vida nos preparando para uma boa morte, o que significa que deveríamos nos preparar não apenas para o que vai acontecer nessa vida, mas também nas próximas, principalmente para a não necessidade de mais vidas materiais. Com esse ponto de vista, o esforço que se faz para acumulação pessoal de bens é inútil. Não o seria se o esforço fosse para criação de um patrimônio social, mesmo que contenha sua parte material, pois esse se perpetua inclusive para nossas próprias vidas materiais subseqüentes. Em outras palavras, não há o meu, mas há o nosso.

A limpeza do mundo pode acontecer de forma pesada ou leve, tudo depende da resistência das pessoas em aceitar as transformações que estão sendo propostas. Essas propostas estão sendo liberadas para todos através dos recursos da alma. Todos, sem exceção, estão tendo sua oportunidade para se conscientizar do que prometeram fazer antes de vir para cá e isso está acontecendo agora. Pode perceber que nos últimos dois anos, a grande maioria das pessoas foi testada naquilo que é mais difícil pessoalmente. Foi mostrado para cada um onde está seu apego ou delusão. Mesmo que a pessoa não tenha querido se conscientizar, acabou ficando mais forte em termos espirituais. A questão é: temos que estar prontos para nos adaptar a um novo modelo existencial que está sendo incutido nas consciências individuais de todos e que precisa florescer, bastando para isso que busquemos descobrir o que estamos fazendo aqui. Estou falando de esforço na busca, não precisa nem descobrir. Bata a porta que ela se abrirá. Tem que pedir e esperar verdadeiramente a resposta seja ela qual for. Se as pessoas aceitarem esse impulso da alma (de novo, basta aceitar e esforçar-se para ir na direção, mesmo que não consiga), então as transformações serão menos pesadas. Porém, se as pessoas recusarem esse impulso, isso representa uma resistência e a transformação vai acontecer apesar disso. Não é difícil imaginar o que pode acontecer se duas, três, dez ou vinte pessoas tentarem parar um trem ficando a sua frente. É mais ou menos o que vai acontecer. Não seria melhor pedir para o trem diminuir a marcha para que todos pudessem entrar? Isso é possível, mas tem que pedir e estar disposto a entrar, independentemente do que isso significa.

Toda a tragédia tem uma explicação, porém a explicação completa não está disponível para os não iniciados e mesmo para esses pode não estar (e falo aqui da verdadeira iniciação, não aquelas belíssimas peças de teatro que existem nas religiões ou ordens da matéria, sem querer denegri-las ou menosprezá-las, pois elas têm um papel importantíssimo no processo). Vários são os motivos individuais para o que ocorreu; alguns irmãos estão sendo liberados de sofrimento maior, pois já conseguiram cumprir o prometido aqui; outros precisavam viver a experiência cármica de uma morte desse tipo; os que ficaram devem refletir sobre o ocorrido e assim por diante. Cada um daqueles povos tem seu quinhão cármico. Cada um de nós também é responsável por aquilo e pode fazer alguma coisa, mesmo que seja uma prece. Tem gente que está indo como voluntário para ajudar, outros enviam dinheiro, outros ainda mantimentos. Qual a virtude que devemos trabalhar? Também pode ser o desapego, ou seja, por que isso é tão importante ou por que é tão ruim? As almas ficam mais fortes na adversidade. Não foi isso que aconteceu com todos nós nos últimos dois anos? Temos que nos esforçar na vida, procurando desenvolver a consciência de que aqui não é nossa casa, apenas nossa estrada. Uma viagem que vai nos levar para outro patamar conciencional. Precisamos desenvolver nossas potencialidades e isso só pode ser feito com esforço no desenvolvimento de nossas virtudes. No que essa tragédia fez você sofrer? É ali que precisa ser mexido e o significado da tragédia para você é isso, onde você precisa mexer no seu ser. Se a morte te choca, então talvez você esteja com medo de transitar pela estrada da vida, sendo escravizada pelas delusões, pois não está pronta para se despojar de tudo pela verdade. Se você fosse morrer hoje, você estaria preparada? E se fosse alguém da sua família, o quanto você estaria preparada para deixar que essa pessoa se liberte, tendo cumprido sua missão? Apego é uma semente difícil de identificar e é facilmente confundido com o amor. Apego é uma das bases do sofrimento, como disse Buda, e é causado pela ignorância da verdadeira essência do ser. É em direção a essa essência que os acontecimentos da vida nos levam, sempre, pois tudo é uma forma da divindade nos mostrar o caminho. É importante refletir sobre isso e identificar a origem do sofrimento, mesmo que esse sofrimento seja pequeno. Sempre há uma boa semente para ser colocada no lugar de uma semente ruim.

Seja feliz!"

sexta-feira, março 05, 2004

Algumas Verdades sobre Deus e o Demônio

Minha idéia inicial era fazer uma compilação do artigo indicado abaixo, retirando alguns pontos e acrescentando outros, mas, pensando melhor, o texto é muito interessante por si só e deve ser lido na íntegra, sem intervenções. Por isso, meu artigo de hoje é uma indicação para que vocês leiam o texto do link abaixo.

De Como e Por Que o Demônio Existe e Age (Frater Velado, OS+B)

Um dos detalhes interessantes desses ensinamentos é que o que conhecemos como demônio foi um produto da mente do homem, que o criou e deu-lhe vida autoconsciente. Se a humanidade quisesse, poderíamos criar uma sociedade sem o demônio, e com apenas um único e verdadeiro Deus. Sugiro que você reflita sobre isso. Procure descobrir que deus você ama e que demônio você serve, pois sempre há tempo para procurar o verdadeiro Deus de seu coração.

terça-feira, dezembro 23, 2003

O Tantra de Osho

Existe muita confusão acerca do Tantra. Aliás existe muita confusão acerca de diversas filosofias orientais (mesmo no oriente) e é fácil entender porquê, quer ver? Você sabe o que é um computador? Isso... esse mesmo cuja tela você está olhando agora. Posso apostar que você quase chegou a apontar para ele como apontaria para uma cadeira. Um vídeo, um teclado, um mouse e uma caixa de metal e plástico onde tem um botão de liga e desliga. Excelente! Então, eu vou lhe dar uma placa de circuito eletrônico vazia, um processador, uns chips, um hard disk e alguns outros componentes para que você monte um, está bem? Não?! Ué, você não disse que sabia o que é um computador??? Aliás, você sabe que existem diversos tipos de computador?

O mesmo acontece com o Tantra. Não dá para conhecê-lo apenas apontando para ele, ou olhando seus componentes externos. Além disso, há diversos tipos de práticas tântricas, ou que estudam o Tantra. A questão é que as filosofias orientais não têm o pensamento racional como princípio básico, por outro lado, vão profundamente em aspectos subjetivos da vida e isso faz com que palavras simples como Tao, Tantra, Ying, Yang, carreguem conceitos tão vastos que exijam milênios de estudo por diversas linhas de pensamento, o que resulta em escolas diferentes apresentando visões diferentes sobre um mesmo conceito. O mais interessante é que todas elas devem estar certas considerando a parcela da verdade contida em seu ponto de vista.

Uma vez eu li que a palavra Tantra seria uma fusão das palavras Tanoti e Trayati, significando respectivamente “expandir” e “liberar”. Mesmo essa significação é vaga, pois, certamente, o “expandir” e “liberar” de Tanoti e Trayati não devem ser compreendidos exatamente da mesma forma como essas palavras são entendidas no ocidente. A etimologia delas é diferente, além do que, a forma do pensar e a visão de mundo hoje são diferentes da época em que as palavras foram concebidas. Isso é comum, mesmo nas filosofias que adotamos no mundo ocidental, por exemplo, o termo que conhecemos como “camelo” no português, quando traduzido do aramaico não significa apenas o ruminante que armazena água em sua corcova, mas também, alguns artefatos feitos de seu couro e seus pêlos, dentre eles, uma corda grossa. Desta forma, podemos traduzir uma das parábolas de Jesus como: “é mais fácil uma corda de pêlos de camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Faz mais sentido, não? Jesus não falava bobagens, ele era muito contundente e profundo em suas observações. Infelizmente, não podemos dizer o mesmo de algumas pessoas que traduzem seus dizeres (e talvez nem seja por maldade).

No ocidente, Tantra tem uma conotação fortemente sexual, o que, além de ser uma visão muito limitada, gera muito preconceito, pois as pessoas tendem a separar o sexo das suas vidas e associá-lo a algo sujo ou imoral. Pensar isso é o mesmo que dizer que alfaces são verduras contaminadas. De fato, podem ser, mas tudo depende da terra onde são plantadas e dos insumos usados para cultivá-las. Quando não pensam dessa forma, muitas vezes são promiscuas, ou seja, sexo apenas pelo prazer do sexo, o que para mim é o mesmo que regar as alfaces com esgoto. Para Osho, Tantra é algo integral, que tem a ver com o corpo, mente e espírito de forma a fazer com que tudo seja divino e nada seja negado, ou seja, o sexo é algo divino e deve ser respeitado como algo divino e não acontece isolado em apenas uma parte do corpo, mas é uma manifestação integral do ser em todos os planos de manifestação (corpo, mente e alma). Nesse sentido, não é uma prática meramente sexual, mas um profundo exercício do amor, colocando todo o ser no caminho da libertação.

Infelizmente, Osho foi muito mal interpretado e isso aconteceu porque ele sempre falou do amor verdadeiro e de como aceitar o sexo como componente desse amor. Se a grande maioria das pessoas não sabe o que é o amor verdadeiro e, pior, não está interessada em desenvolver essa maravilhosa benção divina, logicamente, não seria possível para elas entender o que Osho queria dizer.

Sexo é sim um caminho para a libertação e o encontro de Deus, mas desde que ele seja apenas um instrumento do amor. Conforme a alma vai se aproximando de Deus, o sexo tenderá a desaparecer e apenas o amor continuará existindo. Segundo Osho no livro “Tantra, Amor e Meditação”, “[...] a não ser que o sexo desapareça, você não será capaz de entrar no Reino de Deus. Mas o sexo desaparece apenas quando você o tiver aceito totalmente, não reprimindo, mas o transformando [...]”.

Nada que Deus criou através da natureza é dispensável. Tudo tem sua razão de ser e deve ser santificado. Não deturpe ou destrua as dádivas de Deus, apenas tente entender que bênçãos elas estão tentando trazer para você. Acredite que tudo o que existe tem uma mensagem de Deus para você. Agradeça pela cama que você dorme, qualquer que seja ela; pela comida que você come, estando ela fria, quente, salgada ou amarga. Trabalhe para Deus, qualquer que seja seu trabalho. Agradeça seu companheiro (a) a cada encontro, a cada abraço e procure santificar cada beijo, cada noite de amor, sempre com profundo respeito, carinho e amor. Se você fizer um esforço em manifestar a pureza de seu coração em todos os momentos, entenderá a mensagem que Osho deixou.