"É preciso preparar-se para mais elevados conhecimentos, só neste pensamento pode a nova consciência aproximar-se da humanidade"

(Mestre El-Morya)


terça-feira, março 22, 2016

Consciências Múltiplas Autônomas Integradas

Falar sobre consciência é sempre muito complexo, pois é um tema muito falado, mas pouco conhecido da humanidade, mesmo considerando os séculos de estudo já percorridos até aqui. O fato de haver vastos volumes de informação sobre o tema, não significa que estejamos próximos de alguma conclusão acerca de sua natureza essencial. De fato, o que vemos acontecer é que, a cada nova incursão da ciência, seja a área que for, novas nuances sobre a consciência vão sendo descortinadas. Várias áreas tratam da consciência, desde a filosofia até a física, passando pela medicina e teosofia. Eu diria que o conceito de consciência hoje se mistura com o do cósmico, de tão vastas as possibilidades que estamos alcançando. Como é difícil tentar entender porque eu me sinto eu mesmo e você se sente você mesmo, um verdadeiro assunto sem fim. Mais do que isso, trata-se de algo absolutamente impalpável, mas que interage e cria tudo o que se pode ver à nossa volta, que sob certos aspectos pode ser localizada e sob outros não pode e, mesmo quando pode, não pode ser medida. É o próprio paradoxo da criação. É por isso que comecei esse artigo de uma forma um tanto poética, mas, de fato, meu objetivo aqui é um pouco menos subjetivo, vou expor um conceito não muito explicado, mas muito implicitamente citado em estudos teosóficos ou parapsíquicos sempre que se fala sobre projeção astral, eu interior, personalidade alma, corpos psíquicos, estado alterado de consciência, etc., que é o fenômeno das Consciências Múltiplas Autônomas Integradas.

Alguns autores colocam a consciência como um atributo da mente, mas quando tentam explicar a mente, recorrem a uma mistura de consciência com cérebro e acabam dando voltas no mesmo lugar. Normalmente, são aqueles que querem dar um perfil epifenomenalístico para consciência, mas a física quântica já colocou faz tempo esse princípio em cheque, tendo como uma das suas principais teses o fato da consciência poder causar a materialização das partículas quânticas, ou seja, a consciência seria precursora da matéria e, de uma certa forma, a teria criado, ao invés da consciência ser resultado do funcionamento do cérebro. Eu prefiro a vertente mais filosófica, onde a consciência seria um atributo do Ser, pois é possível tratar do Ser sem haver mistura direta com a própria consciência. O Ser até seria o precursor da consciência e esta estaria certamente indelevelmente ligada ao Ser, mas quando se coloca a consciência como atributo, ela se torna um instrumento de atuação do Ser. Em outras palavras, um instrumento é um dispositivo utilizado por alguém para atuar em alguma coisa, claramente destacável do Ser como sendo algo que Ele se utiliza para algum fim.

A definição corrente da consciência, independente das discussões sobre sua etimologia, basicamente nos leva a entendê-la como uma condição de estar ciente de algo, independentemente de como essa ciência se produza, seja por estudo, seja por percepção, seja por experiência, seja por intuição. Já o termo ciente significa saber, conhecer, estar informado. Porém, a consciência como entendemos é mais do que isso, pois ela também tem a capacidade de atuar em alguma coisa, ou seja, com base no seu saber, ela toma decisões e, com isso, atua sobre algo. Note que há uma sutileza bastante interessante na interpretação humana sobre consciência, pois decidir e atuar são verbos, pressupõe movimento e também um encaminhamento entre eles, ou seja, a decisão ocorre antes da atuação, portanto, está implícita aí a existência do tempo. E o que é o tempo senão um imenso paradoxo de consciência? De fato, todos acham que sabem o que é o tempo, pois todos nós temos a vivência de estarmos indo do passado para o futuro, mas quem realmente vai do passado para o futuro senão a própria consciência? Já tentou definir o que seria verdadeiramente o presente? Procure no dicionário e você vai ver como as definições são divertidas e inconclusivas. Quem cria o tempo como conhecemos e experienciamos é a própria consciência, que dá ao presente toda a atenção possível, mas o presente é algo tão imensurável e indefinível que parece uma brincadeira que nos impingimos a nós mesmos. Afora esta interpretação humana, há teses místicas sobre a existência de um lugar onde a consciência pode ser absoluta e, nesse caso, independe do tempo, dado que no plano absoluto o tempo é integral, ou seja, colapsado, tudo estando no presente. Isso pode parecer muito difícil de se imaginar e certamente o é para nós que estamos aprisionados na percepção de apenas um presente mutável, que parece se deslocar do passado para o futuro, mas tente imaginar o tempo como uma dimensão do espaço, a largura, por exemplo. Quando você coloca o foco da sua percepção da largura da sala em que está nesse momento, você perceberá toda a largura de uma vez só, e não estará transitando por ela milímetro a milímetro para conseguir percebê-la por completo. Uma consciência que puder perceber o tempo integral da mesma forma que percebemos o espaço, certamente terá uma visão absoluta do tempo. Nós temos apenas uma visão unidimensional dele, segundo a segundo que, de uma certa forma, é um paralelo da percepção milímetro a milímetro de uma linha ou plano.

Veja que, nos exemplos acima, tangemos dois tipos de consciências, aquela que está aprisionada em uma dimensão do tempo e aquela que consegue experienciar o tempo absoluto. As teses místicas indicam que vários desses tipos atuam no nosso ser e o próprio conceito do Monismo Idealista da física quântica aponta para a existência de uma consciência única, que poderíamos associar à consciência absoluta. Se nos debruçarmos em Freud, vamos ver que os conceitos de ego, superego e id nada mais são que tipos de consciências autônomas e integradas, sendo que uma influencia na outra. O sistema nervoso simpático tem um tipo de consciência vital que independe de certa forma do ego, mas influencia e é influenciado por ele. Veja que, os exemplos citados são bastante palpáveis e materialistas. Entretanto, as filosofias ocultistas fazem menção a consciências bem menos palpáveis, como por exemplo, a alma, o espírito, os corpos sutis, etc. Conforme compilado pela Teosofia, a natureza do homem é setenária, possuindo ele sete corpos (veículos) para manifestar-se nos diversos planos existenciais. E o que seriam esses planos? Eu os associo com focos de consciência, onde um elemento consciencial vai absorver experiências e percepções de um determinado plano, vai tomar decisões e atuar nele, fazendo isso de forma autônoma, porém integrada, dado que a experiência do ser é holística por princípio. Porém, como cada plano tem suas características e vivências, cada consciência tem uma faixa de percepção, similar ao que acontece no plano físico, a saber, podemos ouvir uma faixa de frequências, observar uma faixa de vibrações luminosas e assim por diante. Quanto mais elevado for o foco da consciência, mais próximo da consciência absoluta estará, portanto, maior será o campo de “visão”, ou seja, maior será sua faixa de percepções e compreensão do todo. Isso faz com que os focos de consciência superiores do ser possam compreender o que acontece nos focos inferiores, mas não o contrário, pois um foco inferior é mais limitado em relação às percepções e experiências. Isso é facilmente compreensível analisando o exemplo usado acima quanto à percepção do tempo. A consciência física (egóica), não consegue compreender uma consciência que perceba o tempo absoluto, onde tudo é presente, apenas pode tentar imaginar, mas mesmo assim, se depara com dualidades comuns, como destino e livre arbítrio, ou seja, se tudo acontece ao mesmo tempo, o futuro não estaria determinado? Nesse caso, como fica o livre arbítrio? Para responder isso, tem que abstrair, concebendo um presente integral mutável, que parece ilógico aos nossos olhos, aprisionados às relações de causa e efeito, tão evidentes no plano temporal. Esse tipo de hipótese está sendo analisado no meio científico como o fenômeno dos universos paralelos, muito embora, esse fenômeno esteja mais focado nas consciências físicas, onde as vivências temporais dependem de decisões que representam bifurcações desses universos ao longo da existência, então, se referem à mesma pessoa que tem vidas diferentes em universos paralelos, pois houve decisões diferentes em cada um desses universos e o número de universos é tão grande quanto as decisões que cada um de nós tomou. De qualquer forma, cada plano de consciência, ou foco, tem suas percepções, necessidades, experiências, decisões e atuações. Em geral, os planos superiores guiam os planos inferiores para que o planejamento existencial integral, ou holístico, seja cumprido. Desta forma, o chamado eu interior ou personalidade-alma, tem um planejamento para o foco de existência físico, ou ego, que, por limitações diversas do seu foco, não consegue compreender, muito embora, tudo faz parte do mesmo ser, dado que nosso ego é apenas um foco da nossa consciência integral, estando ele subordinado à nossa personalidade-alma, um outro foco da consciência integral. É importante notar que, do ponto de vista do ego, somos um corpo que tem uma alma, mas, na verdade, somos uma alma encarnada e vivendo uma experiência material, ou seja, considerando que a matéria é um tipo de faixa vibratória de manifestação (algo bastante citado nas filosofias místicas), ela não é diferente do espírito, apenas uma zona de vibrações, portanto, é tudo a mesma coisa, todos os corpos são formados essencialmente pela mesma energia, então, é tudo espírito, não existindo corpo e alma, mas fases de ressonância da consciência integral.

Em termos de informação, até agora eu não trouxe nenhuma novidade, apenas em termos de enfoque. Nossa tendência egóica é separar tudo e tentar explicar tudo do ponto de vista material, então, nossa alma nos parece algo destacável de nós, algo que nos abandona depois da morte. Porém, de fato, somos nós que abandonamos o plano egóico depois da morte, após concluídos os trabalhos do ego nesse plano de manifestação da consciência integral, que é o físico. O ego não consegue saber o que ele tem que fazer aqui, mas os nossos focos de consciência superiores sabem, por isso que são referenciados como mestres interiores em diversas filosofias. Para aquele que vê a linha milímetro a milímetro, ou o tempo segundo a segundo, não há como entender o que é a largura da sala, pois não consegue ver a largura, apenas o milímetro, que seria o presente. Se nosso foco de consciência superior nos diz para ir um pouco mais para a direita para evitar esbarrar em um armário, o pobre do ego não tem sequer como saber que há um armário. De qualquer forma, todos os focos de consciência operam juntos, pois aquele ego está lá como instrumento de um foco de consciência superior, mas cada um desses focos de consciência tem sua própria vivência e experiência, porém, têm limites para transmitir seu saber para os planos inferiores pelas limitações que esses planos encerram. De qualquer forma, todas elas funcionam integradas, portanto, cada um de nós é um conjunto de consciências atuando em diversos planos de forma independente, porém intimamente integradas, compondo um único ser que se esparrama por todos esses planos, sendo todos guiados pela consciência cuja visão é a mais ampla e que tem total compreensão do nosso propósito existencial. Para melhorar nossa compreensão com uma analogia, podemos ver esse processo de forma similar no nosso corpo biológico. Cara célula do nosso corpo atua de uma forma independente, porém, totalmente integrada ao todo corporal. Cada célula tem seu quinhão de consciência, cumprindo sua função, porém, todas são comandadas materialmente pelo sistema nervoso central e seus meios de interação, sejam eles elétricos, químicos ou mais exotéricos, sendo que nosso sistema nervoso central está subordinado às nossas consciências múltiplas autônomas integradas.

E será que podemos acessar nossas consciências superiores? Os mestres e gurus dizem que sim, mas não conseguem explicar como e o motivo é muito óbvio, dado que, certamente, acessar essas consciências traz uma compreensão que não é possível de se traduzir por meio das estruturas de linguagem que temos, uma vez que a imensa maioria delas é baseada na nossa percepção física, ou seja, nossa comunicação se baseia em um conjunto de signos fortemente baseados nas experiências que temos nesse plano material, portanto, sempre que tentamos explicar algo que foge a essa objetividade, precisamos escrever artigos como esse e, mesmo assim, a compreensão de quem lê é bem particular, até porque, para cada um entender, vai recorrer às experiências que teve e o entendimento que tem das palavras que foram usadas. Se a experiência é corriqueira e objetiva, como uma cadeira, por exemplo, todos que já usaram uma cadeira saberão o que é, mas se a experiência for muito particular, como a que os mestres têm durante uma iluminação, como fazer para transmitir esse conhecimento? Em tese, da mesma forma como nós fazemos para alguém entender o que é uma cadeira, nós simplesmente tentamos levar a pessoa até uma e a fazemos sentar nela. Portanto, é isso que um mestre iluminado tenta fazer quando ajuda seus discípulos a atingir a compreensão dessa vivência das consciências superiores.

Poucos de nós tem acesso a mestres iluminados, então, o que podemos fazer é trocar ideias entre nós, cada um tentando, através do seu laboratório mental, refletir, meditar e experienciar o que seriam essas interações com nossas consciências superiores, que são partes de nós mesmos. Uma das formas é imaginar como seria o tempo integral, os outros planos de manifestação da consciência, as próprias consciências superiores, a matéria como energia e tudo mais. Também podemos ler os escritos deixados pelos sábios da humanidade, ou seus discípulos, e desejar fortemente nos aventurarmos pelas terras inexploradas do nosso ser. Pelo menos é isso que nossas consciências superiores parecem nos dizer para fazer.

Paz a Luz para todos.

terça-feira, dezembro 03, 2013

Linguagem Matemática e a Ética

Já citei em um de meus blogs que matemática não passa de uma linguagem e, como toda linguagem, está sujeita a interpretações. Muitos querem atribuir uma capacidade quase divina a ela, seja no que tange a comprovações de “verdades científicas”, seja no que tange a tradução de expressões de Deus, mas, de fato, ela não passa de um instrumento sujeito às incongruências humanas. Como linguagem, essencialmente, a matemática é um instrumento de expressão, mais comumente usada para sustentar a lógica e as ciências, mas, no fundo, ela pode sustentar ilusões, preconceitos, poesia, beleza, etc. O problema começa quando se passa a considerar que a matemática determina verdades inquestionáveis. De fato, quem faz as interpretações é a mente do homem, ou seja, na prática é o homem quem continua sempre determinando as “verdades.” Aliás, o conceito de verdade é resultado de uma elucubração da mente humana. Muitos atribuem à matemática toda a base da nossa tecnologia, pois a consideram como sendo a única ciência pura que sustenta as demais ciências que desenvolvem essa tecnologia. De novo, quem cria é a mente, portanto, a base de toda nossa tecnologia é uma ciência que não recebe o devido reconhecimento, a ciência da criação. Não é reconhecida por ser uma ciência transcendente, ou seja, não tem método, é infinita.

Certa vez, Waldo Vieira comentou que a matemática sem moral é um desastre. Essa afirmação pode parecer estranha em uma primeira passada, mas todo filósofo exige de nós uma certa reflexão para ser entendido. Se mudarmos o texto e dissermos que “linguagem sem moral é um desastre” fica mais fácil de entender. Veja que, intrinsecamente, o que muda nessas duas afirmações é nossa compreensão acerca de matemática e linguagem. Nós entendemos que linguagem é um instrumento de expressão de ideias, então, quando dizemos que a linguagem não tem moral, imaginamos a expressão da imoralidade através da linguagem. Fazendo uma simples substituição de palavras na sentença acima, podemos aos poucos desenvolver nosso entendimento do que seria a matemática imoral: quando dizemos que a matemática não tem moral, imaginamos a expressão da imoralidade através da matemática. Lembre-se que tanto a matemática como a linguagem são apenas instrumentos de expressão. Uma matemática imoral pode ser a base para toda uma cadeia de manifestações imorais na nossa sociedade, uma engenharia imoral, uma ciência imoral, uma economia imoral, uma tecnologia imoral, etc. Se nós não temos a compreensão do que seria realmente a matemática imoral, talvez não tenhamos como identificar nenhuma das consequências imorais de sua aplicação. Não seria a bomba atômica uma consequência da aplicação da matemática imoral? Posso citar outros exemplos como as máquinas de guerra (tanques, aviões bélicos, artilharia), a economia capitalista selvagem, sistemas de informação intrusivos, dentre outros. É lógico que, como essa dissertação tem o foco na matemática, pode parecer que a matemática poderia ser a origem de todas as nossas mazelas, mas não é isso, ela é apenas mais um instrumento que foi conspurcado pela doença moral da humanidade. O fato é que a moral e a ética são muito mais abstratas e sutis, sendo que, se elas permeassem todas as disciplinas da mente humana, é provável que nosso mundo fosse bem diferente, ou seja, não é a matemática, mas o uso que o ser humano faz de qualquer instrumento que chega até as suas mãos.

Não vou me ater a definições formais aqui, pois, para mim, matemática é a linguagem das relações entre grandezas, sejam elas definidas ou abstratas. Entendamos como grandezas algo que possa, mais cedo ou mais tarde, ser traduzido em um número de qualquer dos conjuntos aceitos (reais, irracionais, naturais, imaginários, etc.), ou seja, algo que de alguma forma tenha os pés bem calcados no mundo finito. Isso significa que a linguagem matemática não pode “conversar” sobre o mundo infinito? Pode, mas não é um bom instrumento para ele, pois é limitada, é fruto do esforço consciencial humano de entender o mundo finito em que vivemos e não o infinito no qual existimos. Poderia ser desenvolvida para entender o infinito? Depende do homem e de suas interpretações, desde que não se prenda a preconceitos platônicos do tipo “Deus geometriza.” Não estou aqui querendo desdenhar Platão, apenas estou apontando que o pensamento de Platão fazia muito sentido na época dele e durante muito tempo que se seguiu, mas pensamentos e teorias não podem ser considerados verdades absolutas apenas por serem proferidos por grandes mentes e serem lúcidos durante séculos; se fizermos isso estaremos criando dogmas e limitando o desenvolvimento futuro do nosso conhecimento. Por mais pleonástico que possa parecer, verdades são verdades apenas enquanto possam ser consideradas verdades. Nosso universo é impermanente e ilusório, pois a matéria é fugaz, portanto, não existem verdades absolutas no nosso universo, apenas verdades parciais, fato cada vez mais evidente em todos os estudos científicos desde o século passado.

Mas vamos ser um pouco menos abstratos e demonstrar como a interpretação muda todo o significado de uma teoria. Vamos pegar a tese utilizada para explicar o que é sofisma. Para quem não conhece, a palavra sofisma vem do grego, significando: fazer raciocínios capciosos, ou raciocínios aparentemente válidos, mas incorretos. Essa tese usa a matemática para provar que 0=1. Vamos lá:

Tomemos uma série infinita: 1-1+1-1+1-1+1-1+1... ao infinito, denominada S;

Agrupemos S da seguinte forma: S=(1-1)+(1-1)+(1-1)+(1-1)+..., denominando esse agrupamento como A1 (note que o agrupamento não altera S, apenas o vê de uma forma diferente);

Resolvendo os valores entre parênteses, temos que S=A1=0+0+0+0+..., ou seja, todas somam 0, portanto, podemos concluir que S=A1=0;

Agora, agrupemos S da seguinte forma: 1+(-1+1) +(-1+1) +(-1+1) +(-1+1)+..., denominando como A2 (da mesma forma, S não é alterado, apenas visto de outra forma matematicamente aceita);

Da mesma forma, se resolvermos os valores entre parênteses, temos que S=A2=1+0+0+0+0+..., porém, o resultado final desse agrupamento é S=A2=1;

Se, como visto no primeiro agrupamento, S=A1 e, no segundo, S=A2, então, temos que A1=A2, ou seja, 0=1.

Mas o que deu errado? Usamos as regras da matemática, não usamos? A questão é que, afora algum preciosismo matemático, não tem nada errado, é tudo uma questão de interpretação, a forma de enxergar o fenômeno. Dentro do modo de entender da ciência materialista, o resultado não é válido, é uma mentira, uma demonstração sofista. Santa arrogância humana! Não conseguimos nem perceber a maravilhosa proposta que essa demonstração nos oferece. Existe uma sutileza espetacular nessa demonstração, que está na primeira sentença: “Tomemos uma série INFINITA.” A palavra infinita altera tudo. O que vemos aí não é verdadeiramente um paradoxo matemático, ou um sofisma, é uma manifestação da infinitude de uma expressão que encerra nela o próprio infinito. O que quero dizer com isso? Tire o infinito da demonstração acima e você vai ver que não se consegue mais demonstrar que 0=1. Você vai conseguir demonstrar que 0=0 e 1=1, mas nunca que 0=1; sem o infinito isso não é possível. Veja bem o que eu disse: sem o infinito, isso não é possível, mas e com o infinito, isso seria possível? Ou seja, 0 pode ser igual a 1 no infinito? Se é infinito, por que não poderia? Intrinsecamente, infinito não tem fim, não tem limites, não tem regras, o infinito tudo comporta e tudo abraça. De certo modo, o infinito se confunde com alguns conceitos filosóficos de Deus. Por que, apenas pelo fato do atual estágio da consciência humana não conseguir interpretar o que isso significa, 1 não pode ser igual a 0 no infinito? O mais interessante é que a matemática, mesmo que limitada, deu a resposta, mas o ser humano não conseguiu compreender, então, resolveu atribuir um conceito de valor, ou um preconceito, dizendo que a demonstração é uma fraude. Não duvido que, se essa demonstração fosse feita em determinados períodos da história, seu demonstrador poderia estar sujeito à prisão por bruxaria, ou coisa pior. Se juntarmos isso com a citação sobre moralidade na matemática que fiz acima, podemos entender um pouco mais como o uso de instrumentos sem manter em mente aspectos éticos pode ser um verdadeiro desastre, como disse Waldo Vieira.

Para ilustrar um pouco mais, vamos analisar rapidamente a Equação de Drake, cujo propósito foi estimar o número de civilizações em nossa galáxia com as quais poderíamos ter alguma chance de estabelecer algum tipo de comunicação:

N=R x Fp x Ne x Fl x Fi x Fc x L onde:

N -> número de civilizações que poderíamos nos comunicar;
R -> taxa de formação de estrelas na nossa galáxia;
Fp -> fração de estrelas que possuem planetas;
Ne -> número médio de planetas que podem sustentar a vida;
Fl -> fração desses planetas que consigam desenvolver a vida;
Fi -> fração desses planetas que desenvolvem vida inteligente;
Fc -> fração desses que tem o desejo e a tecnologia para se comunicar;
L -> tempo esperado de vida dessa civilização, levando em consideração que ela pode se autodestruir ou ser extinta por fenômenos cósmicos.

Essa equação é absolutamente viável matematicamente, mas o que ela realmente expressa? Uma possibilidade material da existência de ETs? É só uma equação, não dá para dizer se existem ETs com ela, entretanto, a quantidade e o nível de discussões que ela gerou quando foi formulada em 1961 não deixa dúvidas que o objetivo era expressar uma ideia complexa e controversa, aliás, muito tenebrosa, especialmente se observarmos o último elemento dela, o L. Uma matemática moral pode ser determinante para aumentar o tempo esperado de vida de uma civilização e a capacidade desta sobreviver a fenômenos cósmicos, tudo depende em que direção essa civilização dirige seus esforços. Ah! Um detalhe irrelevante, mas curioso: segundo Drake, só em nossa galáxia poderíamos conseguir nos comunicar com 2,31 civilizações, porém, os mais materialistas dizem que isso é tudo conjectura sem significado.

Por mais que o homem queira acreditar no contrário, ainda estamos muitíssimo longe de sequer tocar qualquer coisa que possa ter alguma relação com nosso conceito de verdade. Aliás, acho que esse conceito vai cair por terra quanto nos aproximarmos do entendimento da origem de nossa existência, ou seja, vamos descobrir que não existe uma verdade, existem sim interpretações derivadas de um processo criativo. As verdades de hoje são conjecturas humanas. A ciência de hoje é apenas um compêndio de teorias que já consegue, é fato, manipular e dirigir algumas forças universais, através da análise dos seus efeitos observáveis nos laboratórios desse planeta, mas não pode absolutamente confirmar que elas funcionem da mesma forma em qualquer outra parte do universo, pois não temos muitos laboratórios fora da Terra para testá-las. De fato, a verdade da humanidade se resume ao que podemos fazer nesse mísero planetinha. E mesmo assim, em vez de nos direcionarmos a expandir o conhecimento para que possamos nos elevar na compreensão da nossa existência e propósito, ainda temos que lutar para desenvolver o básico, a moral e a ética. Será que teremos tempo suficiente para demonstrar a Equação de Drake?

Paz e Luz para todos!

terça-feira, outubro 22, 2013

Especismo e Vegetarianismo

Levei um bom tempo para decidir escrever um artigo com esse tema. Aliás, eu já comecei alguns, mas depois desisti. Esse tema é tão ingrato e as pessoas têm seu pensamento tão limitado e preconceituoso quanto a ele, que só sendo grosseiro para tentar derrubá-las do seu pedestal de ignorância, o que é muito desagradável e desalentador. Quase posso apostar que um homossexual é mais bem aceito hoje na sociedade do que um vegano, só que ser vegano nem deveria ser considerado uma opção, não só pelo fato de um vegano geralmente ser muito mais preocupado com o respeito à vida, mas principalmente, pelo fato do veganismo ser uma forma de combater um preconceito totalmente arraigado e incrustrado em nossa sociedade, o especismo. Para quem não sabe, especismo é um tipo de discriminação com o mesmo teor que o racismo ou sexismo, onde se atribui um valor menor à vida ou à consciência somente pelo fato daquele ser vivo ser considerado um animal inferior, ou seja, da mesma forma que tem gente que acha que negros e mulheres são inferiores, o senso comum atribui inferioridade a todos os demais animais não humanos.

A consequência de qualquer discriminação é a escravidão, em maior ou menor grau, seja ela evidente ou velada, esta segunda, aliás, na maior parte das vezes. Eu qualifico a discriminação em geral como um vício, pois ela está presente na nossa existência de uma forma praticamente compulsiva, seja por conta do medo, seja por conta da vaidade. Existe um maldito impulso no ser humano em querer se destacar e, com isso, poder ser qualificado como melhor que outros, sendo que, ser melhor em geral significa poder ser servido por outros seres considerados inferiores de alguma forma. Esse instinto é tão incivilizado e selvagem que inúmeras filosofias pregam a humildade e o serviço como caminho para se atingir a iluminação, até porque, a única forma de se ter um mundo verdadeiramente equilibrado é cada um se preocupar em prestar um serviço ao seu próximo e não o contrário. Isso é tão óbvio, mas precisaram vir inúmeros mestres nesse planeta para repetir a mesma coisa, pois ninguém parece querer ouvir; essa sim é “uma verdade inconveniente.” Mesmo sabendo que o resultado previsível do vício da discriminação é algum tipo de escravidão, flagelo ou injustiça, nós cedemos a ele e nossa história continua absolutamente repleta exemplos disso, mesmo assim, continuamos a repeti-los, perpetuando-os ao longo dos séculos.

De fato, ainda somos muito incivilizados. Se pensarmos que a escravidão só foi objeto de questionamento na sociedade há pouco mais de 150 anos, vemos o quanto isso está perto de nós. Note que estou dizendo “objeto de questionamento”, pois escravidão ainda é um fato em diversos locais em pleno século XXI. Mais triste ainda é ter que dizer que ela só foi questionada pelo fato de ser economicamente pior do que o modelo de trabalho assalariado que a sucedeu, ou seja, uma completa vergonha para a consciência humana, abolir uma condição execrável somente por conta dos metais. Podemos ir menos longe ainda se considerarmos a discriminação de gênero, onde a mulher é considerada inferior. Mesmo no ocidente, a valorização real da mulher é uma coisa que tem algumas poucas décadas e, mesmo assim, ainda há diversos exemplos onde essa condição é muito mais um ato de tolerar do que reconhecer a igualdade. Avançando para o especismo, aí então ninguém nem sabe o que é e nem que é frontalmente responsável por ele a cada filezinho que ingere. Quando falamos no tema, as pessoas tentam se justificar dizendo que a natureza funciona desta forma. De fato, não funciona; não há matadouros na natureza, não há depósitos de animais em condições deploráveis, não há desrespeito à vida na natureza. Nela os seres caçam, não escravizam, e mesmo assim, nem todos, muitos deles fazem parte do processo de cooperação entre as espécies, havendo diversos tipos de dietas, sendo a maioria delas cooperativa, ou seja, o processo alimentar de muitas espécies está relacionado à dispersão de sementes e ao fortalecimento do habitat natural, ou biomas. Mesmo a predação natural pode, em algum nível, ser considerada uma forma de cooperação, como um tipo de controle populacional ou controle da melhor genética; processo violento e selvagem, é lógico, mas muito menos selvagem do que escravizar e expor a uma condição degradante como acontece nos matadouros e pesqueiros. Mas seguindo nessa linha, se for para sermos “naturais”, então deveríamos matar, ou deixar ao deus dará, os membros da espécie humana mais fracos, como os portadores de necessidades especiais e crianças doentias, além de nos tornarmos caçadores do nosso próprio alimento, aí sim, podemos fazer esse paralelo. Eu acredito, porém, que nós já conseguimos avançar um pouco nos princípios de respeito à vida e dignidade.

Vamos seguir um pouco mais nessa noção de “natural”. Você já teve a oportunidade de analisar a anatomia humana? Eu já e, pelo que vi, nós temos uma anatomia que se aproxima muito mais dos herbívoros do que qualquer outra. Nem aos frugívoros nós estamos tão perto, ficamos mais para herbívoros mesmo. Aí tem gente que vai perguntar: mas não somos onívoros? Hábitos alimentares e anatomia são coisas diferentes. O fato de termos hábitos alimentares onívoros não implica necessariamente que nossa anatomia também o seja. É fato observável que nossa anatomia está mais preparada para uma alimentação baseada em plantas. E quanto à fisiologia? Neste quesito, há interpretações. Nossa flora intestinal parece ter sido adaptada a uma alimentação que contenha carnes, mas é uma adaptação, não funciona do mesmo jeito que os animais com anatomia carnívora completa. Por exemplo, temos baixíssima tolerância à putrefação da carne em comparação com eles, além de dificuldades no consumo in natura, por isso que temos que cozinhar esse tipo de alimento, ao contrário das plantas que podem ser comidas cruas com facilidade. Note que cozinhar alguma coisa absolutamente não é natural, não conheço nenhuma espécie que faz isso além do ser humano. Uma das formas de enxergar esse aspecto é entender que, após milênios de alimentação carnívora, o organismo já teria produzido alterações para que pudéssemos assimilar a dieta forçada. Mas essas alterações foram suficientes para que isso se tornasse natural? A medicina sugere que não. Os estudos mais modernos apontam para diversas consequências no consumo de carnes, a grande maioria impactando no sistema orgânico como um todo (não vou detalhar aqui, mas tem muita coisa que pode ser pesquisada por aí). Isso até já aparece na grande mídia, mesmo que ela não seja lá uma boa referência. Porém, há um outro problema aqui, bastante complexo: pelo fato de estarmos mantendo essa dieta por longo tempo, o organismo começou a “viciar” em determinadas substâncias, deixando de produzir outras (veja como isso funciona no artigo Inércia Orgânica neste mesmo blog) e, como diz a máxima popular, o que não se usa, atrofia, ou seja, o organismo está perdendo a capacidade de produzir determinadas substâncias e isso está criando problemas, pois estabelece dependência de reposição de determinados nutrientes que antes o organismo não necessitava. Reverter isso é lento e, dependendo da idade ou da estirpe, não é nem viável em uma única geração.

Se adentrarmos no aspecto ecológico, o consumo industrial de carnes é notadamente insustentável, altamente nocivo ao meio ambiente (há um bom resumo disso na Wikipédia). Vamos transitar por alguns dos problemas que essa prática causa. Primeiramente, temos a pecuária que precisa cada vez mais de grandes pastos para sustentar a crescente demanda dos rebanhos. Para criar pastos, é necessário avançar sobre plantações ou derrubar florestas. Além disso, é necessário também ração e essa ração é obtida com grandes áreas de monocultura. Para plantar monoculturas, precisa derrubar florestas. Hoje mais de 40% do que é plantado em grãos no mundo é para sustentar a produção de carnes. Em alguns países isso é muito maior, mais de 80% (há uma boa pesquisa da Unicamp sobre isso, veja aqui; ou, se preferir, um resumo aqui). Veja que desperdício de energia, você derruba uma floresta, gasta imensamente com uma monocultura para gerar ração, sendo que, essa ração é apenas parte absorvida pelo rebanho (note que o processo digestivo é muito seletivo e de rendimento baixo, ou seja, uma boa parte do que é consumido vira dejetos). Além disso, apenas parte do que é absorvido pelos animais vira alimento para o ser humano, muita coisa é descartada. Fazendo as contas, se a humanidade se tornasse vegetariana hoje, da noite para o dia, seria possível alimentar com folga cerca de 11 bilhões de pessoas, considerando a produção direta de alimentos, ou seja, pegando tudo o que se planta hoje e entregando diretamente para a população (dependendo da fonte, esse número varia, mas é sempre superior à população mundial). Considerando o que temos hoje, há um déficit de, pelo menos, 2,5 bilhões de pessoas, que passam fome, ou seja, o rendimento do modelo alimentar atual é cerca de 45% do que poderia ser se a dieta fosse vegana, sem falar nos impactos em termos de poluição ambiental que isso tudo gera.

Vamos agora tangenciar um pouco o aspecto psíquico do tema e, se você já tentou questionar de todas as formas os aspectos científicos apresentados acima, duvido até que vá querer ler sobre os aspectos metafísicos; mas aí, sou obrigado a dizer que você gosta de ser cego, fazer o quê. Nada contra os cegos, mas eu tenho absoluta certeza de que, apesar de qualquer cego poder ser uma pessoa completamente capaz, ele adoraria também poder usufruir da capacidade da visão. É interessante observar como as pessoas gostam de acreditar que “aquilo que os olhos não veem, o coração não sente.” Essa afirmação é de uma ingenuidade imensa. Os grandes sábios da humanidade há muito já dizem que tudo está interligado e que o bater das asas de uma borboleta afeta uma estrela do outro lado do universo. A física quântica já demonstra isso. Infelizmente, nós sofremos todas as consequências psíquicas de tudo que acontece nos matadouros e pesqueiros. Lacan e Young já formularam há um certo tempo o conceito do inconsciente coletivo, ou psicossoma planetário. Aliás, Bertrand Russel trata de ideias similares no livro “Fundamentos de Filosofia”, relatando a experiência dos macacos que aprendiam entre si, mesmo sem ter contado direto por estarem separados em ilhas distantes (veja que eu nem estou citando referências menos aceitas pela comunidade científica, mas há inúmeras, até mais profundas e concisas). Tudo que o ser humano faz ou não de bom vai para o psicossoma planetário e atua diretamente na psique humana de cada um de nós. Isso também é ciência e há diversos experimentos que buscam demonstrar esse fato. Desta forma, tudo o que acontece nos matadouros e pesqueiros acaba contaminando sua psique com culpa e medo. Não pense que você está imune somente pelo fato do animal já estar esquartejado quando você vai ao açougue, você patrocina e é responsável por isso com cada centavo que você deixa lá. Mais que isso, dinheiro é uma forma de energia, portanto, você é responsável por conspurcar essa energia cada vez que você patrocina essas práticas ingerindo seu filezinho. Isso vai voltar à sua mente e à sua vida. Muito do que vemos na sociedade em termos de degradação, corrupção e violência tem a ver com isso. Perguntemos para as pessoas se elas seriam capazes de matar um animal, ou mesmo presenciar seu assassinato em um matadouro, para depois comer sua carne e vamos ver que, hoje em dia, a maioria vai torcer o nariz e se sentir mal ou enojada. Esteja certo que essa culpa é reforçada na sua psique a cada naco de carne que você ingere, não tem jeito, é causa e efeito, uma lei absolutamente natural.

Que mundo você gostaria de viver? Um mundo pacífico? Caso afirmativo, como você contribui para essa pacificação do mundo? Voltemos ao contato psíquico com a natureza: imagine que você vive em uma floresta, o que você acha mais pacífico, uma tribo que cultiva seus alimentos na terra, ou uma tribo que caça? Imagine-se agora como sendo a caça, você tendo que fugir e se esconder para poder sobreviver. Imagine-se sendo capturado por canibais e sendo levado para ser seu jantar. Para os canibais isso é natural. Como você se sente? Imagine-se como sendo um bovino em uma fazenda, vivendo em estábulos apertados e fétidos. Imagine-se frente a frente com seu algoz. Você tem vocação para Cristo? Pois é, Cristo fez isso, se colocou como um cordeiro no matadouro. Você acha que um animal no matadouro se sente melhor do que Cristo se sentiu? Qual o lugar que você se sentiria mais feliz, em um pomar ou em um matadouro? Qual tem o melhor cheiro? Que mundo você quer para você e para seus descendentes? É disso que eu estou falando, não é de comer ou não carnes. Tudo que fazemos ressoa no universo. Nosso mundo ressoa morte, desamor, desrespeito, discriminação, etc. Não é esse mundo que eu quero para meus descendentes, então, eu faço o que posso para cumprir a minha parte, com todas as dificuldades e limitações que ela representa para mim. Especismo é sim uma discriminação tão odiosa quanto a escravidão. Representa o desprezo à vida.

Reflita sobre isso, já vai ser um grande passo.

Paz e Luz para todos!

quarta-feira, agosto 28, 2013

Reflexões Sobre a Velocidade de Dobra Espacial

Velocidade de dobra espacial foi um termo criado pela série Star Trek para designar todo um ecossistema técnico que faria uma nave interestrelar se mover mais rápido que a luz e, com isso, propiciar viagens espaciais aos confins do universo. Como tudo na série, ela tem uma boa base científica, mas apenas base, pois há alguns problemas e paradoxos ainda não resolvidos pelo nosso conhecimento atual. De fato, esse conceito de dobra é objeto de estudo da ciência, dentro da especialidade da propulsão, sendo que muitos cientistas acreditam ser perfeitamente possível.

Antes de começar a fazer as reflexões, que são o verdadeiro objeto desse artigo, vamos entender um pouco os desafios científicos que temos hoje com esse tema. Basicamente, para se conseguir uma velocidade de dobra espacial, algumas coisas precisam ser tratadas, pois a teoria da relatividade indica que, quando um corpo atinge a velocidade da luz, sua massa se torna infinita e, portanto, precisa de energia infinita para se movimentar. Pessoalmente, eu acho que existem enganos em algumas fórmulas que definem a massa, até porque hoje a ciência ainda não consegue nem descrever a própria natureza dela, por isso que existe essa grande ansiedade para a descoberta do Bóson de Higgs, que seria uma partícula que daria significado científico à massa. Outro ponto relevante é que a teoria da relatividade diz que o tempo se dilata conforme o corpo vai atingindo a velocidade da luz, chegando a parar quando a atinge. Além disso, a fórmula que calcula a massa em movimento não consegue determina-la em velocidades superiores a da luz, mais um indício de que temos problemas nessas fórmulas, pois, embora a matemática já consiga formular alguma coisa baseada em números imaginários, não se consegue traduzir isso em termos de viabilidade física, ou seja, levando em consideração as teorias atuais, se temos números imaginários, teríamos que ter uma física imaginária ou uma massa imaginária; plausível, mas muito impalpável. Há outro ponto que também demonstra que ainda temos vários problemas conceituais para afirmar se conseguiríamos viajar em velocidades superiores a da luz, pois para o tempo parar, há que se considerar que a velocidade da luz seja uma constante, o que, segundo diversas experimentações atuais, parece que pode não ser, mas isso é bem controverso. De fato, segundo Einstein, a velocidade da luz seria um limite teórico para qualquer corpo material nesse universo, pois para estar em alguma velocidade superior a da luz, o objeto deveria acelerar até atravessar o ponto onde o tempo cessa, o que é um paradoxo, pois o próprio conceito de movimento depende do tempo, ou seja, se o tempo cessar, o movimento se torna algo inconclusivo. De qualquer forma, isso pode sofrer modificações se velocidade da luz não for constante e também se considerarmos aspectos quânticos nesse processo. Há também as implicações temporais, ou seja, o tempo é impactado fortemente por movimentos próximos a velocidade da luz, então não dá para pensar em viagem em altas velocidades sem levar em consideração que estaríamos viajando pelo tempo. Note que essa última implicação é tratada de forma meio forçada na série Star Trek, pois eles criaram um conceito de bolha temporal que isolaria a nave dos efeitos do espaço-tempo. Plausível, mas não me parece ser o caminho natural óbvio, porém, não deixa de ser lá uma licença poética do autor. De qualquer forma, isso também tem sua base científica, pois para que fossem possíveis viagens nessas velocidades, a teoria atual diz que seria necessário criar um campo de proteção para a nave, ou seja, precisaríamos envolve-la em uma bolha espaço-temporal, ou um campo de força de espaço-tempo, o que faria com que a nave ficasse protegida das bizarrices físicas que ocorreriam nas fronteiras desse campo de força. Só que o fato de proteger a nave para garantir sua integridade física não significa que a tornaria imune aos efeitos das dilatações temporais, afinal, o que está dentro dessa bolha está em altíssima velocidade em relação a outros pontos do universo.

Mas, meu objetivo aqui não é explicar a física e a matemática de uma suposta tecnologia que nos propiciaria esse tipo de viagem, mas sim explorar nossa limitada visão do universo através de reflexões. Como disse, em qualquer situação de uma viagem nessas velocidades, não podemos ignorar as distorções na nossa percepção de tempo que isso causa. Para entender isso, temos que voltar ao clássico experimento mental de Einstein relativo ao viajante do tempo. Primeiro, vamos entender como funciona o tempo em relação à luz de forma resumida, pois isso foi explicado com mais detalhes na série de artigos “Uma Questão de Tempo” aqui mesmo nesse blog. A teoria (e prática, pois isso já foi experimentalmente provado na década de 1960) diz que o tempo se dilata para corpos que se movem, ficando esse efeito bem marcante em velocidades próximas a da luz, ou seja, se um objeto está a 1% da velocidade da luz e um outro está a 70% da velocidade da luz, o tempo para esse segundo objeto passará mais devagar em relação ao primeiro. Então, o experimento do viajante do tempo diz para tomarmos duas pessoas, uma que fique na Terra e outra que faça uma viagem espacial a uma velocidade muito alta, próxima da velocidade da luz. Nessa situação, quando o viajante espacial voltasse à Terra, pelo fato do tempo dele andar mais devagar, a percepção dele seria que ele teria viajado alguns dias, mas, na Terra, a pessoa que ficou teria percebido o transcorrer de vários anos ao invés de dias. Se o viajante espacial se movesse acima da velocidade da luz, a teoria diz que o tempo retrocederia em relação ao outro que ficou na Terra, então, o viajante voltaria antes de ter saído. Note que essa forma de conceber o tempo sempre está em relação a dois pontos no universo, pois não existe tempo absoluto segundo o conhecimento atual.

A consequência de considerarmos viagens nessas velocidades é que o tempo vai deixar de ser uma prisão e vai passar a ser uma coordenada transitável, ou seja, não se consegue ir de um lugar a outro sem considerar quando e por quanto tempo esse lugar existiu. Viajar em dobras espaciais requer uma sintonização do tempo ao final da viagem. O que eu quero dizer com isso? Considerando a luz como referência, ao invés de dizer que o tempo cessa na velocidade da luz, podemos dizer que nela temos o tempo integral, ou seja, todos os tempos ao mesmo tempo. Digo isso, pois se estivermos a um quilômetro por hora abaixo da velocidade da luz, a velocidade do tempo em todo o universo ao nosso redor seria absurdamente grande, ou seja, um segundo para nós significaria centenas de milhares de milênios no universo e se avançarmos mais esse quilômetro por hora atingindo a velocidade da luz, a velocidade do tempo no universo tenderia ao infinito. Por outro lado, se andarmos a um quilômetro por hora acima da velocidade da luz, o tempo do universo estaria retrocedendo à velocidade de centenas de milhares de milênios em um segundo nosso, portanto, na velocidade da luz o retrocesso no tempo também tenderia ao infinito. Se na velocidade da luz temos ao mesmo instante o tempo do universo avançando e retrocedendo ao infinito, então, todos os tempos do universo estariam contidos nesse instante do movimento. Nesse sentido, regulando a velocidade da nave ao redor da velocidade da luz, mas muito próximo dela, poderíamos colocar essa nave em qualquer instante do tempo deste universo. Em suma, a partir do momento que consigamos nos mover nessas velocidades, precisaremos considerar mais uma coordenada para nossa viagem, pois, como estaremos sujeitos à distorção no tempo que esse tipo de viajem causa, precisaremos além de saber qual a latitude, longitude e profundidade no universo onde queremos ir, teremos que saber quando aquele local/povo existiu, senão não o encontraremos lá, até porque, todas as coisas no universo estão em movimento, então, se quisermos achar um planeta, temos que saber quando ele estava no local que queremos chegar. Por exemplo, se estivermos voltando para Terra e errarmos em um dia que seja o tempo da chegada, estaremos errando em mais de 20 milhões de quilômetros, pois o sistema solar viaja a 240 Km/s, o que até pode não ser muito em termos astronômicos, mas não se pode dizer que não seja uma distância considerável para errar e, certamente, estaremos bem distantes do local onde esperaríamos encontrar a Terra.

Outro ponto interessante a se considerar é que já temos conhecimento suficiente para teorizar cientificamente sobre uma viagem em dobra espacial e já há pesquisas tentando desenvolver isso, o que, mais cedo ou mais tarde vai nos levar a conseguir realizar a proeza, ou seja, isso é possível, apenas ainda não sabemos como. Se isso é possível, em algum momento do tempo futuro a humanidade já terá conseguido realizar isso e, portanto, terá a capacidade de voltar no tempo. A implicação disso é óbvia, significa que hoje mesmo nós podemos estar sendo visitados por nossos descendentes do futuro, o que, aliás, é uma das teorias sobre os fenômenos OVNI, ou seja, não só podem ser seres extraterrestres, como podem ser seres terrestres, bem humanos, só que estão vários anos no futuro.

É possível fazer várias conexões entre esse tipo de especulação e os diversos livros filosóficos e teosóficos que falam sobre a gênese humana, ou sobre termos sido exilados aqui por conta de nossos desequilíbrios espirituais. Nesse caso, colocar-nos aqui na via láctea, sistema solar, planeta Terra, cerca de 13,73 bilhões de anos do último big bang pode significar que estejamos em um lugar no tempo-espaço ermo, sem possibilidade de contato fácil com nenhuma outra civilização que tenha algum tipo de manifestação material, até porque, ao que parece, nenhum dos planetas desse sistema solar possui vida material inteligente neste período de tempo. No passado, isso foi feito com muitas prisões terrestres, ou seja, elas eram colocadas em ilhas ou lugares de difícil acesso para que qualquer preso não tivesse como ir muito longe com a tecnologia que ele tinha se conseguisse fugir de alguma forma. Seríamos então prisioneiros universais, como sugere o livro “Exilados de Capela”? Mas o que significa realmente isso em um universo cujo tempo é apenas mais uma coordenada? Pode significar que nossa pena é temporária e que chegará ao fim quando dominarmos essa tecnologia. Alguns podem dizer “se” dominarmos, pois podemos nos destruir antes disso, considerando que nosso domínio de forças destrutivas está muito avançado em relação do domínio da velocidade de dobra espacial. Pessoalmente, acho mais possível nossa destruição por algum evento cósmico, como asteroides ou planetas negros, do que por nós mesmos; se tivéssemos que fazer isso, já o teríamos feito, pois esse domínio de forças destrutivas capazes de destruir a humanidade já existe há quase três quartos de século. De fato, muito desse domínio é mais retórico que prático e está sob rígido controle do establishment.

Viagens pelo tempo nos causam muitas estranhas sensações mentais, pois carregam muitas consequências fantásticas junto. Poderíamos encontrar a nós mesmos mais jovens ou mais velhos e, com isso, alterar nosso destino de alguma forma. De fato, há teorias sobre o tema indicando possíveis pontos de separação de universos, ou linhas existenciais, causados por nossas decisões. Há teorias relacionadas aos OVNI afirmando que nossos descendentes estariam vindo aqui justamente para corrigir alguma coisa, fazendo com que a sociedade futura fosse melhor. Acho que deveríamos refletir sobre essas possibilidades e encará-las de forma mais natural, abrindo a mente, pois estar preso ao tempo já é muito limitado, então, estar com o pensamento preso a ele é mais limitante ainda. No passado, quando a humanidade desenvolveu o senso da perspectiva, muitas coisas mudaram no mundo e no pensamento humano. Que tal dar mais um passo agora rumo ao tempo integral? É através da evolução de nosso pensamento, nos libertando das amarras mentais, que vamos alcançando a liberdade espiritual. Em vez de fugir da ilha prisional, podemos sair livres pela porta da frente tendo um barco nos esperando para voltarmos à civilização universal.

Paz e Luz para todos

terça-feira, julho 23, 2013

A Teoria da Terra Oca

Essa questão da Terra oca é um tema intrigante e, mesmo que tenha muitos opositores pela comunidade científica, eu diria que o tem pelo fato de não haver interesse em pesquisar mais amiúde sobre essa possibilidade, ou mais provavelmente, por haver interesse em que esse fato fique obscurecido. Existem diversas lendas sobre a existência de seres intraterrestres ou mesmo de cidades intraterrestres, algumas delas baseadas em relatos de exploradores que, pelo fato de serem muito fantásticos, foram considerados fantasias em sua época. Podemos dizer que hoje é razoavelmente bem aceito que nem tudo que a ciência nega pode ser considerado inexistente ou impossível. Filósofos e cientistas contemporâneos já têm bem consciente que a ciência trabalha com base nos conhecimentos que adquiriu ao longo do tempo, então, a construção científica é baseada no passado e naquilo que já se conseguiu formular, sendo que as postulações estão sujeitas a evolução, negação e questionamentos. Se faltam dados prévios suficientes para demonstrar alguma coisa que pode estar muito adiante do conhecimento científico, a ciência não tem muito o que fazer, precisa dos filósofos para conceber possibilidades menos evidentes. De fato, minha visão sobre o tema é um pouco diferente e, considerando o conhecimento físico e cosmológico desenvolvido nos últimos anos, hoje já temos mais condições de conceber um modelo onde poderíamos explicar esse fenômeno da Terra oca, que não seria verdadeiramente oca, mas sim teria um avesso. A ideia da Terra ser oca seria uma interpretação feita pela forma como nossa consciência percebe o mundo.

Para capturar os conceitos desse artigo, você vai precisar entender como nossa percepção interpreta as dimensões físicas e isso está explicado no artigo anterior: “Qual a Dimensão do Carma?”, portanto, recomendo sua leitura. No artigo, eu menciono que, de acordo com a visão científica atual das dimensões, elas podem ser tão pequenas que não conseguimos detectá-las; mas essa é só uma teoria, e se não for assim ou e se houver algum detalhe não identificado ou não formulado por ela? Isso significaria que poderíamos estar isolados de algumas das dimensões, sendo que alguns cientistas também propõe isso, ou seja, poderíamos sim estar vivendo em um ambiente apenas tetradimensional, mas haveria as outras dimensões que, por algum motivo, não teríamos acesso ou, cujo acesso não seria tão óbvio. Na minha visão, nem uma coisa, nem outra; é fato que nós percebemos apenas quatro dimensões, mas estamos imersos em um universo de onze, ou seja, basicamente é uma questão de percepção. Se considerarmos que é apenas uma questão de percepção, isso significa que podemos transitar por esses ambientes multidimensionais sem entender ou perceber exatamente o que está acontecendo. É exatamente aí que começa minha concepção de Terra oca.

Primeiramente, vamos mudar esse termo, pois ele está conceitualmente errado, ele é fruto de nossa percepção limitada. A Terra não é oca e a física tem meios de demonstrar isso, mas o fato de não ser oca não significa que não tenha avesso. A questão aqui é que esse avesso não é dentro do planeta como preconiza a teoria, mas ele se distribui por essas outras dimensões que nossa consciência ainda não consegue entender. A melhor forma de compreender essa questão das dimensões é simular o conceito através de projeções em planos com menos dimensões. Então, vamos imaginar um papel onde possamos desenhar mentalmente. Faça esse papel flutuar e imagine uma esfera que o atravessa e vamos imaginar que ela seja a Terra. Agora projete a imagem dessa esfera nesse papel e veremos um círculo, sendo que, se projetarmos isso dos dois lados, teremos dois círculos semelhantes, um de cada lado, exatamente alinhados. Para inserir a consciência nesse modelo, imaginemos seres cuja consciência interpreta mundo de forma tridimensional, ou seja, um mundo onde há duas dimensões espaciais mais o tempo, portanto, esses seres interpretam o universo como sendo um plano, onde eles podem se deslocar voluntariamente por apenas duas dimensões, ou seja, eles podem andar pela largura e o comprimento, mas não podem andar pela altura, mesmo que essa altura exista, afinal, a folha de papel tem espessura, mesmo que esses seres não consigam entender o que isso significa. Agora, peguemos um furador de papel e façamos um pequeno furo em um ponto no limite da circunferência desse círculo, que poderíamos chamar de polo, assim como temos os polos norte e sul da Terra. Agora vamos colocar o ser que vive no plano caminhando em direção desse furo e que, sem perceber ele atravessa de um lado para outro da folha através dele. Lembre-se que esse ser tem uma compreensão do mundo como sendo um plano, ou seja, ele não consegue conceber o que significa atravessar o plano, pois tudo para ele é plano e esse movimento que ele fez foi apenas seguir um plano que se curvou de alguma forma que ele simplesmente não conseguiu perceber, dado que sua consciência não tem recursos para interpretar essa condição dimensional. Com isso em mente, qual seria a impressão consciencial desse ser? Ele está nesse momento do outro lado da folha, no avesso do papel, mas não tem a menor consciência disso, sendo que, nesse local ele vai encontrar um outro planeta, que poderá ter outra geografia e, possivelmente, outros povos, sendo que, se ele encontrar o caminho de volta, ele contará histórias fantásticas para aqueles que não conseguirão entender a jornada desse “explorador”. Ele tentaria explicar e interpretar sua experiência e poderia dizer que a Terra seria oca, mas, na realidade, ele acessou uma passagem no plano que o levou para o avesso da Terra, a outra face dimensional, não para dentro. Se transportarmos isso para uma consciência que entende o espaço como tridimensional, se ela achasse uma passagem para o avesso do espaço, o outro lado do planeta seria tão esférico quanto, deveria ter outra geografia e outros povos, em suma, essa consciência vai ver um outro planeta exatamente da forma como vemos o nosso deste lado e não vai entender o que está acontecendo.

De acordo com Dean Dominic de Lucia, um pesquisador do tema, aparentemente, todos os planetas possuem em seus polos “aberturas” para sua parte oca ou, na minha visão, a ligação entre as faces tridimensionais opostas dos planetas. Alguns possuiriam também aberturas pequenas em outras partes, mas nos polos é certeza. Se isso parece ser uma possível regra, então, podemos dizer que a formação dos planetas encerra algum tipo de torção dimensional que os fazem se desenvolver como esferas ao longo de algum tipo de eixo diametral que os atravessa pelos polos, sendo que esse eixo poderia interligar as faces tridimensionais opostas. É interessante que as pesquisas demonstram que os buracos negros possuem áreas de ejeções de matéria ou energia em seu eixo diametral de rotação (procure na internet por buraco negro e veja as fotos onde isso é mostrado ou artisticamente concebido). Buraco negro ainda é uma “entidade” muito misteriosa no universo e identifica situações muito bizarras em termos de espaço-tempo, sendo que, ninguém sabe ao certo o que ocorre dentro de um deles. Já ouvi uma teoria de que todo planeta teria em seu interior um pequeno buraco negro que seria responsável pela aglutinação da matéria ao seu redor. Associar as duas ideias não é muito difícil e, mesmo que não haja um buraco negro no interior dos planetas, a pista da ejeção de matéria pelos seus polos pode nos dizer alguma coisa sobre alguma característica existente em polos de corpos esféricos em rotação.

Mas qual a consequência de termos um avesso tridimensional e, se o temos, porque isso não é conhecido ou estudado? Por que nenhum povo do outro lado nos contatou até agora? Primeiramente, não podemos afirmar que não seja conhecido ou estudado pelas autoridades ou agências, podemos apenas dizer que elas não divulgam nada sobre o assunto e temos apenas os relatos dos exploradores ridicularizados pela história. Pelo mesmo motivo, não podemos afirmar que ninguém do outro lado não tenha nos contatado. Outro ponto digno de nota é que os polos são lugares tão inóspitos hoje que a exploração deles só começou verdadeiramente há pouco mais de 100 anos. Aparentemente, o outro lado é tão inóspito quanto, então, se os povos de lá tiverem um desenvolvimento científico similar, estaremos todos na mesma situação. É muito provável que sejam seres humanos iguais a nós, até porque, no passado algum povo primitivo pode ter conseguido transitar por essa passagem em uma era de intenso degelo. Um detalhe interessante é que os exploradores relatam que do outro lado há um sol similar ao nosso e isso é fácil de conceber, basta voltarmos ao exemplo do papel, estendendo-o infinitamente e projetando a esfera solar nesse plano da mesma forma como fizemos com a Terra. Nessa situação, o sol que o explorador viu é o avesso do sol que vemos, ou seja, o mesmo sol. Já em termos científicos temos um bom desafio aqui, que são as fórmulas que descrevem a massa. Se imaginarmos que o planeta tem um avesso, então, a primeira suposição é que a massa seria dobrada, o que derrubaria a tese considerando a experimentação científica atual. De fato, não dá para afirmar isso sobre a massa dessa forma, pois nossa ciência hoje não conhece a natureza da massa (estude um pouco sobre o bóson de Higgs e você vai ver que a massa ainda é um mistério). Outro ponto é que os cálculos de massa que temos hoje já podem considerar essa massa dobrada, ou seja, se partirmos do pressuposto de que o avesso também pode existir nas partículas, então os cálculos ignoram que a massa poderia se dividir pelos avessos. De fato, seria necessário formular uma teoria de como a massa se esparramaria por esses avessos, dividindo-se, e não o contrário, em outras palavras as fórmulas vão funcionar mesmo que ignoremos a existência do avesso, dado que elas considerariam a massa integral de ambos os lados. Mais um detalhe, da mesma forma que eu mencionei acima sobre o avesso do sol, todos os orbes teriam avessos visíveis dos dois lados, senão precisaríamos inferir a existência de uma dimensão não conectada à nossa, o que contraria o conhecimento do universo de onze dimensões que temos hoje.

Por fim, é fácil entender porque as autoridades fariam o possível para deixar o tema obscurecido. Imagine um mundo do mesmo tamanho e potencial que o nosso, que tenha se desenvolvido isoladamente, com seus modelos políticos, sociais, industriais e econômicos, com seus reis e suas guerras, com sua ONU e tudo mais, e que esse mundo possui uma ínfima passagem para um outro muito similar, como todas suas estruturas de poder já montadas. A pergunta óbvia é: como lidar com a existência disso sem provocar um tremendo desequilíbrio nas estruturas de poder, nos planos de governo e tudo mais, de ambos os lados? Se o lado de lá é similar ao de cá (e acredito que seja), tenho absoluta certeza de que há um acordo tácito entre as partes para deixar tudo ocultado até que se arrume algum meio de lidar com isso, de pleno acordo de todas as estruturas de poder existentes em ambos os lados, o que absolutamente não deve ser nada fácil. Eu acredito que sejam sociedades similares porque se um dos lados fosse bem mais forte ou desenvolvido tecnologicamente, já haveria um movimento de dominação por parte desse lado, pois nós conhecemos muito bem a índole humana.

Como vimos, com um pouco de boa vontade é perfeitamente possível conciliar lendas com ciência, basta elucubrar um pouco e avaliar as possibilidades. Sou da opinião que não devemos ignorar ou rechaçar nenhuma lenda ou história contada pela nossa “mitologia.” Elas não são mentiras ou fantasias, apenas são interpretações limitadas de fatos existenciais cuja compreensão não era possível na época que foram relatadas. Como dizia Adhemar Ramos: “Não acredite em nada que eu disser, mas não duvide de nada que eu disser.”

Paz e Luz para todos.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Qual a Dimensão do Carma?

Pensar acerca das dimensões sempre é um assunto instigante e bem abstrato. Já o Carma, da forma como é estudado corriqueiramente, não é um tema que parece ter muitas novidades ou muitas alternativas. Mas é fácil entender porque; dimensões é um tema em alta atualmente na cosmologia e física, portanto, não está completamente formulado e não há axiomas (dogmas) muito claros com relação a ele. Já o Carma foi dogmatizado pelas religiões e passou a ser um estudo quase que maniqueísta, ou seja, um tema que já está muito parcial. De fato, minha ideia aqui é fazer exatamente o contrário, desdogmatizar o Carma e tirar um pouco da abstração das dimensões. Para isso, sugiro que você leia alguns artigos anteriores, dentre os quais, onde eu mencionei que o Carma seria uma mistura de causa e efeito com ação e reação. De fato, isso foi uma forma didática de tentar explicar alguma coisa que não obrigatoriamente está presa aos nossos conceitos limitados de espaço-tempo. Causa e efeito pode ser o mesmo que ação e reação, basta que você tire a dimensão temporal deles. Comecei complicado? Um pouco, especialmente se você não é um leitor desse blog, então, recomendo a leitura da série “Uma Questão de Tempo”, postada aqui a partir de março de 2003, pois lá há conceitos sobre o tempo que não vou reexplicar aqui. Outros artigos que contribuem para compreender o tema são: “As Dimensões da Consciência”; “Fronteiras do Mundo Material”; “Um pouco sobre Carma” e “Carma e Darma”.

Hoje algumas linhas da cosmologia e física trabalham com a hipótese do universo ter 11 dimensões e isso nos suscita uma dúvida óbvia: se há 11 dimensões, como só conseguimos ver 3? Primeiro, vamos corrigir essa pergunta básica imediata, pois não conseguimos “ver” as dimensões, nós as percebemos (acredite, o termo é relevante), sendo que não notamos somente 3, mas sim 4. Nossa percepção nos mostra 3 dimensões espaciais mais o tempo, que, segundo Einstein, pode ser considerado a quarta dimensão. Com isso, a pergunta correta seria: como podemos perceber somente 4 das 11? A resposta atual dos cosmólogos é que muitas delas podem ser tão pequenas que nossa capacidade e instrumentos não teriam condições para detectá-las, mas, para mim, essa é uma resposta fácil e parcial, pois não considera os aspectos metafísicos da questão, muito embora, não vou me estender muito mais nisso por não ser objeto desse artigo. De qualquer forma, durante a descrição do universo de 11 dimensões, cosmólogos afirmam que são 10 mais a dimensão do tempo. Note uma coisa interessante na descrição dos cosmólogos atuais e de Einstein: eles separam a dimensão do tempo, como se fosse diferente das demais. Entendo que eles fazem isso por conta da forma como nossa consciência funciona, que interpreta o tempo de um jeito bem específico, porém, tecnicamente ela não é, ou seja, é tão “espacial” (se é que se pode usar esse termo) quanto as demais, é uma dimensão passível de trânsito como qualquer outra, ou seja, se você tem a liberdade física de transitar do norte para o sul, do leste para oeste, de baixo para cima e vice-versa, você também tem a liberdade física de transitar do passado para o futuro ou ao contrário. Essa liberdade física já é teoricamente preconizada, já há alguns experimentos surpreendentes demonstrando alguns aspectos menores ou discretos dela, mas ainda nos falta desenvolvimento tecnológico suficiente para conseguir isso. Entretanto, acredito que há ainda alguns detalhes teóricos que precisam ser formulados e dominados para que tenhamos condições de transitar no tempo com a mesma facilidade com que fazemos nas outras 3 dimensões, mas é só uma questão de tempo para que isso faça parte do nosso dia-a-dia. Consegue imaginar esse dia? Quais as consequências dessa capacidade? Não pergunto aqui em termos físicos, mas em termos filosóficos e éticos, pois a física e a ciência atual estão limitadas pelo próprio cárcere que elas mesmas se colocaram, o mundo material, portanto, finito. Mas vamos deixar a física no seu devido lugar, o mundo finito, e vamos transcender para a verdadeira ciência dos Mestres de Luz.

Voltemos um pouco, para quando eu disse que o tempo fica destacado nas teorias atuais; por que será que isso acontece? Segundo o Mestre Seraphis Bey, a sensação da passagem do tempo, do passado para o futuro, foi uma técnica de imersão no mundo material que nossa consciência interior (verdadeiro eu, personalidade-alma, como queiram chamar) criou para que pudéssemos experimentar a sensação da separação da Fonte de toda existência (ref. “Um Manual para Ascenção”). O que ele quer dizer com isso é que nossa mente foi preparada para perceber o tempo como percebemos, de forma sequencial, sem noção do todo. Não vou entrar aqui no mérito do porquê fizemos assim, pois em vez de eu tentar explicar Seraphis Bey, melhor você mesmo estuda-lo. O que nos importa aqui é que: perceber o tempo como ele nos parece é apenas mais uma das ilusões da nossa consciência inferior, material; é uma percepção tão arraigada, que temos uma enorme dificuldade de imaginar um universo onde o tempo é só mais uma das dimensões, transitável, mais até do que isso, assim como é possível perceber um determinado espaço todo de uma vez, também é possível perceber o espaço-tempo todo de uma vez, mas, para isso, temos que nos livrar das amarras sensoriais da mente objetiva. Como? Comece pela sua imaginação...

Em relatos de pessoas que passaram pela EQM (Experiência de Quase Morte), é comum haver a menção de que elas tiveram uma visão da vida delas em um formato completamente novo, indescritível, onde todos os acontecimentos ocorriam simultaneamente, ou seja, relatam que é como se elas pudessem viver todos os momentos da vida que tiveram ao mesmo tempo. Isso é muito intrigante e muito relevante para o que estamos tratando aqui, pois significa que pode haver algum lugar ou chave na nossa mente (provavelmente, na mente superior) que nos faz experimentar o tempo como qualquer outra dimensão. Veja que interessante, fisicamente, o tempo não deveria ser uma dimensão diferente das outras e, em termos psíquicos, há uma forma de experimentá-lo exatamente dessa forma. Se o tempo não passa, apenas existe, como fica o Carma? Afinal, ele é um dos motivos do artigo de hoje.

Quando o Carma é didaticamente explicado nas filosofias e/ou religiões que o aceitam como tese/dogma, ele sempre nos é mostrado como uma ação, como você matar alguém (bem típico), que terá uma reação, como você ser morto por esse alguém, que pode perdurar e se repetir por vidas e vidas, ou seja, a consequência sempre está no futuro, como se o Carma obrigatoriamente só pudesse ser causado no passado e ter seu resultado no futuro. Voltando aos textos de Seraphis Bey, isso é possível, pois o Carma seria um tipo de “acordo” que fizemos para que pudéssemos experimentar a imersão na matéria e a experiência da separação da Fonte, ou seja, se é um acordo e está relacionado com a forma como nós mesmos criamos o processo de percepção do tempo, então, poderíamos tê-lo criado da forma como acreditamos que seria melhor para essa experiência. Mas mesmo assim, há um ponto intrigante quando concebemos uma dimensão temporal integral, onde tudo acontece no mesmo instante; nessa situação, não existe passado ou futuro, então, todo o processo do Carma acontece no mesmo momento. Perceber a causa no passado e o efeito no futuro é mais uma mera ilusão da nossa percepção temporal. Nesse sentido, o Carma está muito mais para ação e reação do que para causa e efeito (de novo, é tudo a mesma coisa, mas o segundo está sujeito ao tempo, ou seja, é uma ilusão). No conceito de ação e reação existe um ponto de contato das forças envolvidas, que pode ficar obscuro quando o analisamos sob a ótica da causa e efeito, ou seja, quando o processo é analisado ao longo da percepção temporal, o ponto de contato entre a causa e o efeito pode ficar ocultado, pois ele existe em algum instante que pode não ser percebido, ou por ser ínfimo, ou por não estar sendo observado quando acontece. Isso quer dizer que sempre há um ponto de contato entre a ação e a reação, exatamente o ponto onde se estabelece o fiel da balança, o ponto de equilíbrio. Mas é fácil de entender o conceito: vamos imaginar o tempo como uma linha da esquerda para direita; faça uma outra linha perpendicular a ela e, no ponto onde a segunda cruza a primeira, faça duas setas, uma em cada metade da linha perpendicular, apontando para a linha do tempo e, consequentemente, uma seta apontando para outra. Essas setas representam as forças envolvidas na lei de ação e reação, por exemplo, um peso sobre uma mesa, onde o peso exerce uma força sobre a mesa e a mesa exerce uma força sobre o peso, fazendo com que haja equilíbrio, ou seja, o conceito físico que aprendemos na escola, com os desenhos que nossos diligentes professores colocavam na lousa. Agora destaque essas duas setas juntas e coloque-as em paralelo com a linha do tempo e assim teremos um exemplo de Carma em função do tempo, uma força que vai do passado para o futuro e que se encontra no ponto de equilíbrio com uma força contrária. Note que, nessa visualização, você estará vendo o tempo integral, que é a imagem das duas forças acontecendo no mesmo momento para sua percepção, ou seja, como no caso do peso sobre a mesa. Note que as forças aqui seriam apenas representações similares à imagem do peso sobre a mesa que, no caso, se trocarmos as setas por eles, poderíamos dizer que o peso estaria exercendo uma força para o futuro e a mesa estaria fazendo o contrário, havendo o equilíbrio no instante do tempo onde o peso encontra a mesa. Lógico que temos que trocar a gravidade por outra força para que o modelo dê certo e isso também suscita reflexões sobre o que vem a ser a gravidade; mas não vamos complicar mais! Ainda nessa configuração, se colocarmos nossa percepção limitada ao tempo, não perceberíamos o peso e a mesa integralmente, primeiramente, perceberíamos fatias do peso (afinal, temos a percepção de instantes seguidos de instantes e os objetos em questão ficaram paralelos ao tempo), depois um instante ínfimo onde o peso toca a mesa e, por fim, perceberíamos as fatias da mesa. Nessas condições, como nossa mente inferior interpretaria a relação do peso com a mesa? Realmente, é um exercício de imaginação singular. Além disso, ainda podemos ver outra coisa muito interessante, uma das forças estaria sendo projetada do futuro para o passado. Se virarmos o “conjunto” de forma que a mesa venha primeiro no tempo, em tese, a causa não estaria no passado, mas no futuro, ou ainda, em vez do peso aplicar força sobre a mesa como causa, a mesa que faria isso ao peso. De fato, nessa hipótese, não dá para saber o que considerar como causa, ou seja, ou o Carma é realmente um acordo das mentes superiores, com regras específicas e limitado pela percepção do tempo, ou podemos sofrer consequências de ações que ainda vamos ver no nosso futuro, mesmo que não consigamos entender a relação entre elas. Isso pode significar que podemos mudar nosso passado através de ações em nosso presente? Eu vou dizer que eu estou muito convencido disso, mas isso é um assunto para outro artigo.

Apesar de estarmos falando de Carma, dimensões e outros aspectos como assunto básico, de fato, eles não são meu objetivo de reflexão para vocês nesse artigo. O ponto mais importante aqui é repensar sua relação com o tempo, sua forma de percebê-lo, seu modo de encará-lo. O tempo é uma das principais amarras da nossa experiência material e, por termos nossa semente primordial de consciência junto ao Inominável, do mesmo jeito que criamos as amarras, podemos desatá-las. Quer voltar a sua infância? Você pode, pois ela está ocorrendo exatamente agora em algum ponto deste universo, onde sua consciência interior tem total acesso e contato, de dentro do observador que é você mesmo. Quer saber qual o resultado de uma ação? Ele está ocorrendo exatamente agora em algum ponto desde universo, onde também sua consciência interior está lá vivenciando; mas aqui, enfrentamos outra questão inquietante: o futuro é mutável ou é determinado pelo destino? Mais um assunto para outro artigo, mas digo o seguinte, quando você dirige um veículo, você pode decidir se quer bater no poste na sua frente ou virar na próxima esquina, não é mesmo? ... será? Mais um dogma a ser revisitado, o dogma do Livre Arbítrio, e não estou conceituando, dizendo que existe ou não existe, estou apenas suscitando sua reflexão sobre ele. Aqui vale o adágio dos mestres orientais: antes de estudar filosofia, homens são homens e montanhas são montanhas; durante o estudo da filosofia, você não consegue afirmar quem são homens e quem são as montanhas; depois do estudo da filosofia, homens são homens e montanhas são montanhas.

A percepção do tempo é uma programação mental, portanto, passível de mudança. Para começar a mudar algo, primeiramente você precisa imaginar como seria o mundo onde você e qualquer pessoa pudesse perceber o tempo simplesmente como mais uma dimensão, sentir a existência como se todos os momentos estivessem no agora, completos, intensos, integrais, além das limitações da consciência objetiva e dos liames materiais. A imaginação é o princípio de tudo, é através dela que você volta a experimentar sua ligação com a Fonte de toda existência. O mundo das causas é o mundo da imaginação, ele é o ponto de apoio para toda existência completa e absoluta. Depois de criar no seu âmago, abra espaço na sua consciência para a realização divina da sua vontade, pois a Vontade de Deus é a nossa vontade. Seja um canalizador dessa Vontade.

Paz e Luz para todos.


Links para os artigos anteriores: Uma Questão de Tempo (parte 1)(parte 2)(parte 3)As Dimensões da ConsciênciaFronteiras do Mundo MaterialUm Pouco Sobre CarmaCarma e Darma;


domingo, julho 15, 2012

Alvorecer da Consciência

Levei um certo tempo para me sentir razoavelmente confortável em escrever sobre o tema de hoje, até porque, é um tema muito hermético e que só alguns buscadores conseguirão entender verdadeiramente. O fato de eu querer torna-lo público é resultado de perguntas que já vi espalhadas na internet sobre o assunto e, como eu tenho alguma informação sobre ele, resolvi compartilhar. Entretanto, é um tema profundo, tem a ver com processos iniciáticos da consciência e não posso afirmar que eu tenha total domínio sobre ele, porém, vou passar minha visão baseada nas experiências que eu já vivi até aqui.

Muitos de vocês já devem ter visto o filme “Cidade dos Anjos”, com Nicolas Cage e Meg Ryan. Não vou aqui analisar ou descrever seu enredo, apenas pegar uma parte dele que me parece estar ligada, ou ter sido inspirada, por um mito estudado nas escolas de mistério, que pode ser chamado de “Noite das Trevas” ou outros nomes similares. De fato, estudos herméticos têm muitos mitos que precisam ser desvendados conforme vamos avançando na senda. Na realidade, os mitos são como mapas simbólicos, baseados em arquétipos que, conforme vamos buscando entender seu significado através da experiência mística, eles vão se revelando e mostrando se estamos ou não no caminho certo. Esses mitos também, por estarem baseados em simbolismos arquetípicos, nos fornecem muitos insights durante as meditações, descortinando mundos vastos de reflexão e experiências interiores que nos fazem avançar mais rapidamente nos caminhos do espírito. Mas voltando ao filme “Cidade dos Anjos”, há um momento que mostra os anjos na praia, de frente para o alvorecer, aguardando a chegada do sol; também é mencionado que eles ouvem uma música inebriante que os eleva espiritualmente, ou seja, como se o contato com o sol lhes causasse um novo alento de vida. Se nos fixarmos especificamente nesta cena, considerando todos os elementos simbólicos que ela contém, por si só já temos um amplo espaço para reflexão, como, por exemplo, a água (representada pelo mar) que tem relação com os sentimentos, o sol que tem relação com a luz divina, ou o próprio Deus de muitos povos e religiões, a música elevando os espíritos, como um fluído divino que nos toca sem vermos, as pessoas voltadas para o alvorecer, esperando pela luz que ilumina o mundo da manifestação, ou seja, sinais de iluminação da consciência. Com essa cena em mente e procurando vivenciá-la, somos levados a pensar que o momento da iluminação deve ser algo parecido com isso, uma sensação de libertação, de paz, de vida, de calma, de pureza.

Mas e antes do alvorecer, o que há? Daí o mito da “Noite Trevosa”, pois antes do dia, há a noite. Esse mito causa uma certa dúvida e inquietação em muitos estudantes, pois, assim como uma profecia, ele nos parece muito assustador até que passemos por ele, sendo que, ele é assustador justamente porque ainda não o vivenciamos e não conseguimos decifrá-lo. Uma profecia é assim, é como um sinal de algo que não temos como saber o que é, nem quando vai acontecer, mas a descrição que ela contém muitas vezes parece assustadora e incompreensível, só sendo desvendada depois que acontece e, mesmo assim, muitos ainda questionam se existe mesmo a profecia ou se seria apenas uma associação de ideias que não tem realmente conexão. Além disso, quando falamos de noite e de trevas, somos evocados a diversas programações mentais, espirituais e até mesmo físicas (memória de DNA), relativas aos perigos e sentimentos contidos em uma noite negra. Veja que nossa experiência com noites bem iluminadas é muito recente, pois toda nossa memória ancestral nos dá conta de noites vividas nas florestas, cidades sem iluminação, ausência de luz elétrica, etc., portanto, em nossa programação mental, o escuro é momento de alerta e autopreservação. Some-se a isso os arquétipos religiosos que associam as trevas aos demônios, seres deformados e canibalescos, cujo objetivo é aprisionar nossas almas e vampirizar nossa vitalidade. Enfim, a “Noite Trevosa” nos causa medo e esse é um dos primeiros simbolismos importantes desse mito.

Apesar de alguns irmãos interessados verdadeiramente em ajudar os outros, procurando dar explicações lógicas, objetivas e até simplistas para os buscadores que ainda não passaram por essa etapa de seu desenvolvimento místico, não há como explicar a experiência da passagem pela “Noite das Trevas” e do resultado que isso vai causar na psique do adepto, pois é uma experiência, não um conhecimento; o máximo que se pode fazer é explicar o processo e oferecer pistas de onde isso vai mexer internamente em cada um. Pode-se também fazer uma reflexão sobre essa etapa e aumentar os benefícios tanto para quem já passou, como para quem está passando, pois cada consciência tem seu plano de desenvolvimento e o que é enfatizado para alguns, passa desapercebido por outros, sendo que a troca de experiências sempre é profícua.

A sugestão que nos é trazida em relação à “Noite Trevosa” é que ela é um período de tribulações e provas. Depois de passar por esse período, eu tenho uma visão um pouco diferente, pois tribulações e provas confundem-se com expiação em algumas doutrinas, com significação de sofrimento, sendo esse termo muito desgastado e mal interpretado por diversas religiões. Falar de sofrimento sempre é complicado, pois muitos mestres já o estudaram a fundo e encontraram seus caminhos para compreendê-lo e superá-lo. Pessoalmente, acho que cada termo tem sua vibração e seu significado intrínseco, mesmo que muitos digam que são sinônimos e querem significar a mesma coisa. Em uma rápida pincelada da minha noção sobre esses termos, expiação está associada ao mito do calvário de Cristo, sendo que, segundo as próprias palavras Dele, Ele é a própria expiação e a libertação que dela resulta, então, tenho minhas dúvidas se é sofrimento. Para mim, sofrimento é uma experiência do ego, relacionado a apegos, perdas e paixões, portanto, não pode ser expiação, pelo menos aquela que é uma experiência libertadora e Crística. Tribulações são obstáculos que nos auxiliam no desenvolvimento consciencial e provas são os pontos de verificação que nós mesmos nos impomos, mesmo que inconscientemente, para avaliar nosso domínio sobre determinado aspecto da vida. Quem generaliza se afasta do discernimento e quanto mais consciência temos, mais discernimento podemos manifestar, ou seja, discernimento e consciência andam de mãos dadas.

Tema profundo... veja que todos os elementos apresentados sempre nos suscitam inquietação. Pegando o que já foi sugerido até aqui e misturando, temos que antes da iluminação haverá um período de expiação, tribulação ou provas que, na opinião do vulgo, é sofrimento; que para se libertar é preciso se crucificar. Cuidado com conclusões rápidas, pois a lógica da alma não tem suas bases alicerçadas na lógica da matéria e do ego. Essa impressão ruim, especialmente para aqueles que ainda não viveram o processo, é justamente o artifício que o ego usa para evitar que você busque o domínio da vida, ou seja, o ego está tentando afastar você disso, pois o ego quer ser o rei e não o filho sentado ao lado do Pai (reflita sobre isso, pois essa é uma das lições mais importantes que o buscador precisa se conscientizar).

Não há resposta fácil antes de se passar pelo processo, cada um tem que vivenciá-lo do seu jeito. Mas, como disse acima, dá para dizer o que se vai enfrentar e porquê, ou seja, é possível acrescentar alguns racionais para auxiliar sua consecução, mas não dá para explicar o que vai acontecer ao seu coração. Antes de prosseguir, quero deixar claro que eu não me considero um mestre iluminado e isso é mais uma pista sobre o processo da “Noite Trevosa”. Passamos por várias noites escuras em nossa vida e, para cada uma delas, nós alcançamos um grau a mais na iluminação da consciência. É lógico que umas são muito mais importantes que outras e muito mais iluminadoras, mas o mito serve para todas elas. Haverá uma derradeira? O mito do calvário de Cristo sugere que sim, assim como muitas narrativas dos verdadeiros Mestres Ascensos. Se essa tese é verdadeira, então, saiba que este que vos escreve está longe de ser um Mestre Ascenso, mas também não acho que é um cego guiando outro, pois já consigo ver algumas coisas e, se você chegou até aqui, imagino o mesmo para você. Posso afirmar que já passei por esse processo no que tange à experiência conduzida pelos meus estudos em escolas de mistério para essa encarnação. Também posso afirmar que já passei por algumas “Noites das Trevas” menores e que, muito provavelmente, ainda vou passar por outras, portanto, o que vou transmitir aqui é o meu entendimento dessa experiência à luz dos ensinamentos das escolas iniciáticas que participo.

Um pequeno parênteses aqui para podermos entender um pouco mais sobre a consciência: se analisarmos nossa consciência da forma como ela está constituída hoje, podemos afirmar que ela é muito limitada. Waldo Vieira associa amplitude da consciência, ou um estado mais ou menos desperto, com a capacidade de interação entre as diversas consciências existentes, independente do seu nível evolutivo, desde as mais básicas até as mais universais, tendo como ponto de partida a nossa própria consciência. Esmiuçando esse conceito um pouco mais, se nos colocarmos na posição de uma entidade com uma consciência muito desenvolvida, poderíamos interagir com a consciência de uma flor, de um inseto, de um animal ou de um ser humano de forma a nos comunicarmos com esses seres diretamente da fonte para o destino, ou seja, saberíamos o que esses seres estão sentindo ou pensando, pois podemos perceber seu interior; poderíamos mesmo incutir uma ideia ou vontade dentro desses seres, uma intuição. Voltando um pouco no exemplo do filme “Cidade dos Anjos”, os anjos podiam “ler” os pensamentos das pessoas, portanto, entende-se que eles tinham a consciência mais desperta para poderem interagir com essas informações, compreendendo o que significavam e sem perderem seu amor. Voltando agora para nossa limitada consciência humana e prosseguindo com esse conceito de Waldo Vieira, quem de nós pode dizer que consegue sequer interagir diretamente com a consciência do seu animal de estimação? Quando digo interagir quero dizer se comunicar integralmente com ele, entendendo o que ele sente e sabendo transmitir para ele a sua vontade. Pois é... nesse mundo devem haver uns poucos que conseguem, muito poucos; e o mais estranho é que, provavelmente, nossos animais de estimação devem nos considerar como anjos para eles. Há pessoas que leem pensamentos e, para mim, isso significa sim que a consciência dessas pessoas é um pouco mais desperta, pois elas já conseguem interagir de uma forma um pouco mais direta com os demais seres, pelo menos, os do mesmo reino.

Voltando ao tema principal, podemos dizer que escuridão evoca sombras e medo. Uma consciência que não consegue enxergar a outra sofre de um tipo de cegueira consciencial. De fato, vivemos em meio às nossas próprias sombras conscienciais, mal conseguindo discernir o que acontece dentro do nosso próprio ser. Temos medo de nós mesmos, temos medo da libertação, temos medo da iluminação. Quando tentamos adentrar nossa própria consciência, encontramos diversas sombras negras. Se ter a consciência desperta significa comunicar-se diretamente com outras consciências, devemos estar em um sono profundo, pois mal conseguimos nos comunicar conosco mesmo. Não seria esse o significado da “Noite Escura”? Se adentrarmos uma floresta à noite, nos sentiremos desamparados, enfrentando as sombras e os perigos de uma floresta escura; isso nos coloca frente a frente com nossos medos. Adentrar a “Noite Trevosa” é adentrar nossa consciência, de frente para esses medos e para os perigos do ego, a floresta escura. Para conseguirmos atravessar essa noite, primeiramente, precisamos acreditar no alvorecer, trazer no âmago a certeza de que em algumas horas a luz vai deflagrar o horizonte e dissipar as trevas. Segundo, precisamos saber que nosso maior inimigo é nosso próprio medo, que faz com que nos isolemos e consideremos todos como inimigos, inclusive nossas próprias sombras. Quem tem medo, não tem amor; reage agressivamente e destrutivamente. Quem tem medo, não acredita que está amparado, não tem fé, não se harmoniza com a “floresta”, não escuta a voz da verdadeira consciência interior. Quem tem medo, foge das suas sombras, de si mesmo. A expiação da “Noite Escura” é o enfrentamento dos seus medos, a luta do seu Eu Interior para iluminar sua consciência. Terceiro, precisamos saber que não estamos sozinhos na noite; assim como no filme onde todos os anjos se reuniam na praia antes do alvorecer, há muitos “anjos” acompanhando você nessa “floresta”; para ouvi-los, você precisa se abrir e aqui vale uma menção a outro filme, “A Profecia Celestina”, onde um dos insights é você se abrir para essa nova realidade. Quarto, você precisa saber qual é a arma mais eficaz para você combater o medo; essa arma é o Amor. Você pode enfrentar todos os “perigos” da “Noite Trevosa” através do Amor e da Fé. Quinto, a “Noite Escura” não é uma prova, uma tribulação ou sofrimento, é um processo de expansão da sua consciência. Quando um esportista treina para superar seus limites, ele vai expor seu corpo a uma carga além de sua capacidade atual para poder melhorar seu desempenho, isso causa dor, algumas lesões, exige esforço, mas o esportista não considera isso sofrimento, ele sabe porque está fazendo isso e qual objetivo quer alcançar; de fato, na minha opinião, esse é o verdadeiro significado de expiação, ou seja, é expor-se a um esforço que parece além de sua capacidade, um verdadeiro sacrifício pessoal, uma entrega por um objetivo claro e divino que será libertador. A expiação de Cristo foi ser o cordeiro de Deus e seu mito foi entregar-se em sacrifício pela salvação da humanidade, a mais trevosa e libertadora de todas as noites.

Não tenha medo da sua experiência de “Noite das Trevas”, pelo contrário, vá em direção a ela. Entregue-se aos seus mistérios. Aceite seus desafios. Viva sua expiação divina. Ao final de toda noite, por mais negra que ela seja, a luz do Grande Sol Central vai colorir o horizonte, a brisa morna do mar vai acariciar sua face, a música doce do vento vai exaltar sua consciência e seu coração vai se abrir, desabrochando a rubra rosa da sua Alma.

Fiquem na Paz Profunda do Pai.
Hugo De Paula F.R.C.


segunda-feira, abril 02, 2012

A Metáfora do Salto Quântico

Pelos artigos que eu costumo publicar aqui, muitos de vocês já perceberam que eu faço diversas críticas ao sectarismo, seja ele religioso, filosófico, teosófico ou científico, pois acredito que tudo isso tem a mesma natureza e deveria cooperar para o desenvolvimento geral da consciência humana. Porém, quando vejo pessoas se apropriando de algumas expressões, causando confusão por conta disso, por vezes eu entendo a rigidez que a ciência impõe ao método e ao agnosticismo. Isso é bem patente com a física quântica, mais até que a relatividade de Einstein, pois essa ainda é bem palpável e não se pode inventar teorias inverossímeis com ela. Ao contrário, a física quântica é tão bizarra, “esotérica” e inacreditável, que muitos se utilizam dessas características para tentar dar um ar de científico aos seus devaneios. Apesar de eu começar o artigo “soltando os cascos”, de fato, a metáfora do salto quântico utilizada para explicar iniciações ou processos evolutivos da consciência até que faz sentido, muito embora, quem a usa deveria reforçar que é uma metáfora e não uma teoria, pois se isso não for feito, a beleza filosófica que existe acaba virando uma mentira científica.

Para entender a metáfora, temos que esclarecer o que cientificamente significa o salto quântico. A explicação a seguir é para leigos, portanto, peço “licença poética” para usar alguns termos ou exemplos menos precisos, porém conceitualmente válidos e fáceis de entender, até porque, vou direcionar o texto para se aproximar da metáfora. Vamos lá, primeiramente, imagino que a grande maioria de vocês tem na mente aquela imagem tradicional do átomo, onde vemos um conjunto de bolinhas coloridas no centro, rodeadas por bolinhas menores orbitando à sua volta, com linhas circulares ou elípticas indicando a trajetória delas. As bolinhas maiores no meio representam o núcleo e as menores à sua volta representam os elétrons. De fato, a concepção que se tem do átomo hoje é muito diferente disso, porém, para nossa explicação, peguemos essa imagem comum. Cada bolinha dessas é uma partícula do átomo, ou seja, prótons, nêutrons, elétrons, etc., e é nesse domínio de partículas que acontecem os tais saltos, ou seja, as bolinhas são “saltitantes” (risos). Vamos agora expandir um pouco a idéia da trajetória dos elétrons e, para isso, vamos usar o átomo mais simples, que é o de hidrogênio, composto por um próton no núcleo e um elétron ao seu redor, cuja trajetória representada no papel corresponde a um círculo. Agora vamos nos aproximar bem desse círculo desenhado e vamos ver que ele é composto por um disco de vários círculos concêntricos, como os anéis de Saturno, sendo que, esses círculos não se tocam, estão separados por um espaço. De fato, o elétron está aprisionado em apenas um desses círculos, dependendo da energia contida no átomo. Não se esqueçam que esses círculos são imaginários, eles não existem realmente, apenas são a representação da trajetória do elétron. Com essa imagem em mente é fácil entender o salto quântico. Basicamente, quando o átomo recebe energia, ou luz (fótons, que são o aspecto material da luz), ele “armazena” essa energia fazendo com que o elétron salte para um dos círculos mais externos da sua trajetória, sendo que esse salto ocorre de acordo com a quantidade de fótons que ele recebe, ou seja, pacotes definidos de energia. Quando o átomo perde energia, ele emite a quantidade de fótons correspondente e o elétron “decai” para camadas internas da sua trajetória.

Continuando com essa imagem simples, vamos agora introduzir um pouco da bizarrice quântica. Já aviso que não adianta tentar conjecturar explicações para essas bizarrices, pois para fazer isso é preciso muita matemática, então, você simplesmente tem que assumir que o universo é assim e que o que vemos é uma interpretação de coisas que realmente estão muito distantes da nossa compreensão. Não estou dizendo para ter fé, pois no caso aqui, isso tudo já foi objeto de diversos experimentos de laboratório e daí chegou-se a essas conclusões, ou seja, isso já é teoria na prática e já foi “visto” por várias pessoas. Primeiramente, elétron não tem trajetória ou, pelo menos, não há como determinar a trajetória dele, pois quando vemos o elétron como partícula, ele não tem “movimento”, e quando determinamos o “movimento” dele, ele não é partícula, é onda; de fato, as partículas têm essa propriedade, são as duas coisas ao mesmo tempo, onda e partícula. Segundo é que o elétron não passa pelo espaço que existe entre as trajetórias que representamos na imagem mental do disco concêntrico, ele simplesmente desaparece de uma delas e “magicamente” aparece na outra, daí o termo salto. Terceiro, ele só salta se tivermos a quantidade exata de energia que chega ou sai de uma só vez e, como são fótons, você pode contar a quantidade deles, porém, se pensarmos que fótons em movimento é uma onda luminosa, praticamente podemos dizer que estamos “contando” a luz. Essa quantidade exata de energia é chamada de quantum, daí o termo “quântico.” Bem... chega de bizarrice, senão a imagem mental que formamos vai para o espaço... se bem que ela já está no espaço, o espaço atômico (risos).

Com a explanação acima, podemos entender então que o salto quântico é o desaparecimento do elétron de uma camada de energia (trajetória) e aparecimento imediato em outra camada, como resultado da absorção ou emissão de quanta (plural de quantum), ou energia, ou luz, ou fóton (que é tudo mais ou menos a mesma coisa). Cientistas, por favor, respeitem minha “licença poética!”

Mas como isso se tornou metáfora? Aqui vamos ter que estudar mais algumas coisinhas relacionadas com os processos de elevação da consciência, saindo da ciência formal e indo para filosofia e teosofia. Há duas coisas que precisamos tratar aqui e vamos começar com os insights, que é algo que a maioria de vocês já deve ter experimentado. Insight é diferente de intuição, pois intuição basicamente é um sentimento, uma tendência sem explicação racional para seguir uma determinada idéia ou opinião. Insight é mais completo, ele aparece na mente como uma idéia integral, racional, emocional e espiritual; é como se abrissem a nossa cabeça e implantassem uma imagem de forma atemporal, ou seja, simplesmente em um instante imensurável, a idéia que não estava lá aparece completamente, uma descoberta, uma lâmpada que acende sobre sua cabeça, como se você tivesse recebido alguns quanta de energia cognitiva. De fato, o que algumas tradições esotéricas tentam fazer com as magníficas encenações místicas, chamadas de iniciações, é justamente gerar um insight relacionado com a nova situação consciencional representada pelo grau de estudo que o buscador está adentrando. Aí começamos a entender a metáfora do salto quântico, uma iniciação mística tenta produzir um salto quântico consciencional no discípulo, ou seja, tenta fazer com que a consciência dele salte de um plano de compreensão para um outro plano um pouco mais elevado, através de uma “carga energética” (quantum) ou uma experiência espiritual ou mística, que se manifesta com um insight (um salto), e que produz uma expansão da consciência (trajetória mais externa do elétron).

Mas não é só em relação à consciência individual que essa expressão tem sido usada, mas também para a experiência de santificação do planeta que várias tradições filosóficas têm trazido à baila atualmente para explicar o estamos passando em termos de transformação planetária, sendo este o segundo ponto a tratar que eu mencionei acima. Entenda por santificação o conhecido apocalipse ou dia do juízo final. Mas por que eu chamo isso de santificação? Porque várias tradições místicas identificam o processo que precede a ascensão da consciência, ou ressurreição, ou santificação mesmo, como um processo penoso, de martírio, de expiação e enfrentamento dos nossos medos e tentações. Muitas delas a chamam inclusive de noite trevosa ou similar. Se estudarmos as histórias dos messias (Mestres Ascensos), ou mesmo dos santos, vemos que antes de se tornarem iluminados, eles foram martirizados de uma forma ou de outra. E se o planeta estiver a caminho de ascensionar? Seguindo essas tradições, a consciência planetária deveria passar por um processo de martírio planetário, ou apocalipse, sendo que, após esse evento, o planeta estaria em uma nova “camada energética” consciencional, ou seja, terá dado um salto quântico em sua consciência e de todos aqueles que aqui habitam. Já vi algumas escolas usarem também a expressão: “mudar a oitava vibratória”, usando aqui uma metáfora musical, pois em música, uma oitava acima é a multiplicação por dois da freqüência original da nota, portanto, a mesma nota com mais energia. Segundo as profecias e tradições místicas, assim como o salto quântico, essa mudança na consciência do planeta ocorre de uma vez, sem transitar por consciências intermediárias, e o novo patamar de consciência é mais energético que o anterior, o que sugere que pode haver alguma alteração na manifestação material, DNA ou algo parecido; no mínimo, mais luz, dado que houve a “absorção de quanta”, ou de energia, seja ela espiritual ou de qualquer natureza conhecida ou desconhecida.

Pessoalmente, eu não me sinto confortável em usar a metáfora do salto quântico para explicar esses processos ascensionais e o motivo é muito simples: veja o tanto que eu tive que escrever para tentar explicar para alguém que não conhece física quântica o que isso significa, e eu mal pude tocar no mais importante, que são os assuntos da ascensão planetária, iniciações místicas, martírio, etc. Além disso, um salto quântico não significa apenas aumento de energia, pode ser diminuição, ou seja, se colocarmos na metáfora, seria involução. Eu penso que as coisas têm que ser simples, fáceis de serem explicadas e entendidas e, honestamente, usar conceitos avançados da ciência formal para tentar explicar alguma coisa é, na realidade, tentar ocultar a verdade e não torná-la acessível. Até serve para quem conhece física quântica, mas para quem está tentando entender as vicissitudes da sua própria consciência, mais complica do que ajuda.

Falemos de luz, vida e amor! Falemos de virtudes, bênçãos e felicidade! A ascensão é um processo abençoado. Para nós que ainda estamos viciados na matéria, pode parecer um sofrimento, mas é, na verdade, uma libertação. Quanto mais próximos da essência original, mas simples e infinitas são as coisas, mais compreensão e conforto teremos em nosso ser, mais poder realizador manifestaremos. Ascender é uma poesia, uma arte, tanto que há escolas de mistérios que se referem aos seus estudos com o a Arte Real.

Sejamos então os artistas reais da libertação planetária!